Desgaste de Dilma leva PT a antecipar o ‘volta, Lula’

Orion Teixeira / 29/08/2015 - 10h27
A estratégia parece com aquela situação de uma faca de dois gumes. Se é usada para dizer, como afirma o presidente do PT nacional, Rui Falcão, que a candidatura Lula, em 2018, é desejada pelo partido e por setores da sociedade, mas temida pela oposição, pode passar também a ideia de que a presidente Dilma Rousseff (PT) não irá se recuperar do atual desgaste, que a deixa com menos de 10% de aprovação popular, alvo dos efeitos negativos espalhados pelo escândalo na Petrobras e, mais ainda, responsabilizada pela deterioração do quadro econômico.
 
Lula não só admitiu, durante entrevista em Montes Claros (Norte de Minas), que pode, em 2018, voltar a disputar as eleições presidenciais, especialmente se a oposição achar que pode vencer, como também já se comporta como candidato. Até porque, Lula não sabe agir de outra forma quando tem um microfone às mãos e, diante de si, uma plateia que o idolatra. Antes de fazer outro “comício” em Belo Horizonte, Lula reuniu-se com metade da bancada federal do PT e a maioria da bancada estadual petista, para ouvir por alguns minutos e falar por mais de uma hora.
 
Do que ouviu, o ex-presidente aprovou o desempenho do governo Fernando Pimentel (PT), pelo relato que lhe fez o líder na Assembleia Legislativa, Durval Ângelo, e até, em tom de brincadeira, disse que o PT mineiro deveria exportar o modelo político para Brasília, onde o partido não dá conta de liderar e conviver com os aliados, como o PMDB.
 
Ao assumir o microfone, Lula também falou com nostalgia da militância e das origens do partido e fez um apelo para que todos resgatassem o jeito petista, a ética e a transparência que foram marca nos primórdios do PT. Sobre os desdobramentos das investigações na Operação “Lava Jato”, tranquilizou a todos, afirmando que, ao final, todos os partidos, até mesmo o PT, serão responsabilizados e que os envolvidos devem ser punidos.
 
Ainda que Lula tenha luz e potencial próprios, seu futuro político está umbilicalmente ligado ao desempenho da presidente Dilma. Mesmo assim, um petista adiantou que, em caso de fracasso de sua afilhada política, ele já teria a receita da superação, por meio do discurso da vitimização. “A Dilma do Lula é a do primeiro mandato. A do segundo, a oposição não a deixou governar”.
 
Retirem os celulares
 
Antes de assumir o microfone e falar aos petistas, em um hotel da zona sul da capital mineira, Lula pediu a todos que deixassem os celulares de fora do auditório para que eles não se desconcentrassem com o uso whatsApp. Foi obedecido, e disse que assim poderia falar olho no olho com todos, além, é claro, de evitar vazamentos impróprios de gravações de sua fala, que, nos últimos meses, tem gerado estresse junto à companheira sucessora.
 
Porteira está aberta
 
Ao contrário de São Paulo, o PT mineiro está recebendo a adesão de prefeitos de outros partidos. Enquanto o paulista anotou a desfiliação de 14 prefeitos, o mineiro receberá, até o final de setembro, a adesão de 15, egressos de vários partidos, como os prefeitos de Ibiá, do PHS, e de Guiricema, do DEM. Ao contrário de São Paulo, o governo mineiro é petista.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários