Belo Horizonte: multirracial e multicultural

Professor Wendel / 17/07/2017 - 06h00

Belo Horizonte é uma cidade jovem, que foi povoada gradualmente por migrantes e tornou-se uma cidade multirracial e multicultural. Tal diversidade cultural passou nos últimos tempos a ser ameaçada por um processo de massificação e homogeneização das ideias, dos padrões de consumo e das vivências. Vítimas de uma experiência fragmentária e cambiante da vida moderna, nossas tradições artístico-culturais vão sendo substituídas por algo pasteurizado, destituído de identidade, de referências étnicas, religiosas, territoriais ou históricas.

Nesse cenário, é preciso reconhecer o passado como força instauradora, capaz de atualizar-se no presente. Precisamos investir na ritualidade oferecida pela diversidade cultural enquanto força instauradora e não como algo passado. Hoje, o poder de revelação está lançado unicamente no futuro. Todas as perspectivas de transformações e mudanças, a espera por uma vida melhor, as promessas por dignidade, estão depositadas num futuro que nunca chega. O presente, então, eterniza-se. Alastra-se ao passado e sobrepõe-se ao futuro.

Arvorando-se em metáfora da nova ordem, Belo Horizonte propôs-se a ser síntese da modernidade. Mas, será que precisamos sempre do novo? Somos Minas antes de qualquer outra história ou invenção. E o novo quase sempre recorre ao passado em busca de subsídios para as reconfigurações históricas. Afinal, tradição e modernidade não são as duas faces de uma mesma moeda?

Hoje, em tempos de novas tecnologias que nos conectam com o global, a atenção ao local é um dos grandes desafios das sociedades e oportunidade para as sociedades criativas. Criar não é somente inovar. É também potencializar as forças existentes. Nesse sentido, o turismo e a cultura, entendidos como desenvolvimento social e econômico são estratégicos, bem como a busca por um caminho sustentável que não esgote nossa relação com o ambiente. Isso passa pelo reconhecimento e valorização da diversidade, daí a gastronomia, a música, o artesanato, nossa cultura popular e as novas plataformas tecnológicas criativas e suas novas formas de trabalho e inovação serem instrumentos de crescimento humano e econômico, ambos essenciais para a sedimentação das vocações da capital e de forma mais ampla, do estado. Voltar às origens, dizia o catalão Gaudi, é ser original. Diversidade e tecnologia podem ser, portanto, pontes para um futuro sustentável. Um caminho viável para nossa terra em um novo mundo que já começou acelerado. (Com a colaboração de Leônidas Oliveira).

 

 

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