‘Pai tem que fazer de tudo'

Professor Wendel / 26/02/2018 - 06h00

Meu projeto de lei, determinando a instalação de fraldário nos banheiros masculinos de shoppings, estádios e outros espaços públicos, já foi aprovado na Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal e breve vai a plenário. A ideia do projeto surgiu quando minha esposa estava viajando e fui passear com minha filha no shopping. Em determinado momento, ela chorava muito e era necessário trocar sua fralda, mas não encontrei nenhum local apropriado para fazer a troca. Então, tive que pedir a uma senhora que estava por perto para levá-la para o único fraldário no local, que ficava no banheiro feminino.

Assim que o projeto foi divulgado, ele tem recebido muitos apoiamentos e comentários que podem enriquecê-lo ainda mais. Inclusive, recebi o apoio de Bruno Santiago, idealizador do blog “Pai tem que fazer de tudo” e palestrante do tema em vários estados. Conversei muito com Bruno e ouvi diversas sugestões, inclusive de ampliar o projeto para espaço família. Mas as pessoas concordam em sua maioria que o projeto é um grande avanço, porque cada vez mais os pais participam da criação e cuidados com os filhos. Por isso, em nossa conversa, concordei integralmente com Bruno, quando ele disse que pai não tem que ser coadjuvante e que já se foram os tempos em que apenas as mães é que cuidavam dos filhos.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mulheres e homens se igualam na jornada semanal de trabalho fora de casa - 40 a 44 horas. Só que elas ainda precisam dedicar 25 horas de trabalho semanal em atividades domésticas, enquanto seus companheiros só trabalham dez horas semanais em casa. Apesar da estatística, a sociedade atual tem passado por grandes transformações em todos os campos trazendo mudanças ao comportamento das pessoas e entre estas, a forma de se educar os filhos.

Na atualidade, milhares de pais são muito ativos tanto na divisão de tarefas quanto na criação dos filhos. Segundo especialistas no assunto, esta é a diferença entre “ser pai” e “ter um filho”, porque paternidade não se limita em colocar uma criança no mundo ou dar seu nome na certidão de nascimento.

E muitos querem ser realmente pais que andam lado a lado com as mães, que compartilham da educação e dos cuidados com os filhos. Muitos pais já entenderam que passou a época em que educar os filhos era apenas função das mulheres. Por isso, nós políticos, temos que também legislar para esses pais que querem participar ativamente da educação e dos cuidados com seus filhos.

 

 

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