Aumento dos casos de aids entre os jovens é uma triste realidade

Raquel Muniz / 12/02/2018 - 06h00

O primeiro diagnóstico de aids no Brasil foi em 1982. Depois de 35 anos, não podemos negar as conquistas no enfrentamento à epidemia, tanto por parte das campanhas publicitárias dos governos quanto da organização e mobilização da sociedade.
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, que defende o organismo de doenças.

A ONU classifica o vírus como ameaça à saúde pública, pois afeta 36,7 milhões de pessoas no mundo.

Temos que esclarecer que HIV e aids não são a mesma coisa. Enquanto a primeira significa que a pessoa tem o vírus, mas não a doença, a segunda indica a manifestação da doença, propriamente dita, com todas as suas consequências. Há muitos soropositivos que vivem anos sem sintomas e sem desenvolver a doença. No entanto, podem transmitir o vírus a outras pessoas em relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho na gravidez e amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção.
Segundo a UNAids, órgão das Nações Unidas que lida com a doença, o número absoluto de novos casos de aids no Brasil aumentou, em tendência contrária ao que se registra na média mundial. Somente em 2016, foram 48 mil novos casos.


Esses números poderiam ser bem menores se a população, sobretudo os mais jovens, se prevenisse como deveria. Os governos, em especial o federal, têm feito a sua parte. No ano passado, como forma de prevenir a população contra a aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST, o Ministério da Saúde distribuiu cerca de 465 milhões de preservativos. Além disso, veicula constantemente campanhas publicitárias sobre o tema e disponibiliza atendimento médico gratuito durante o ano inteiro.

Estamos em meio a maior festa popular do planeta, o Carnaval, e é nesse momento que os cuidados devem ser intensificados. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/aids, do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/aids e das Hepatites Virais, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, em 2016, foram 38.090 casos de aids registrados no Brasil.

Não podemos negar que o consumo excessivo de álcool e o uso de drogas ilícitas são mais frequentes no Carnaval e em grandes eventos, o que acaba servindo de porta de entrada para contração do vírus HIV. É possível se divertir com maturidade e bom-senso.

O Ministério da Saúde fez um levantamento e detectou que, desde o início das notificações oficiais no país, em 1980, já foram registrados 882,8 mil casos. O órgão elaborou algumas dicas importantes para que ninguém deixe de amar por medo da infecção ou por falta de informação. Vejamos:

ASSIM PEGA: sexo vaginal, anal e oral sem camisinha; uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para o filho na gravidez, parto e amamentação; ou instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

ASSIM NÃO PEGA: sexo desde que se use corretamente a camisinha; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão ou abraço; sabonete, toalha, lençóis, talheres e copos de terceiros; doação de sangue; ou pelo ar.

Claro que os cuidados com a saúde devem ser uma rotina diária, mas nossa maior preocupação continua sendo o Carnaval e o público mais jovem, haja vista que o Ministério da Saúde constatou que as pessoas dessa faixa etária ainda desconsideram o hábito de usar preservativos. O próprio Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais, daquele ministério, por meio da última Pesquisa de Comportamentos e Atitudes e Práticas do órgão, alerta a população para essa questão, tendo em vista que, entre jovens de 15 a 24 anos, apenas 56,6% usam camisinha com parceiros eventuais.

É sabido que as DSTs são transmitidas por outros meios, mas a maior probabilidade de adquiri-las é mediante relação sexual sem proteção. Lembre-se: a única forma de se prevenir é usando camisinha e não tomando anticoncepcional ou pílula do dia seguinte.

Além das doenças já mencionadas que as mulheres podem contrair, existe um risco a mais: o da gravidez indesejada. Por isso, prevenção, cautela e responsabilidade são os remédios mais eficazes.
Cuide-se e faça exames periódicos!

 

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