Combate ao trabalho infantil: a saída para uma sociedade mais equilibrada

Raquel Muniz / 10/07/2017 - 06h00

Recentemente foi comemorado o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, uma data importante para refletirmos sobre o valor da infância e suas experiências, que contribuem para a construção da cidadania, da saúde e da vida em comunidade. Não estou falando da impossibilidade de incluirmos as crianças em atividades como ajudar na limpeza da casa, por exemplo, pois, na maioria das vezes, o equilíbrio emocional, as habilidades e o senso crítico são mais eficazmente construídos pelo empirismo do que pelas teorias. Em outras palavras, é dando tarefas para elas que o aprendizado e a maturidade surgem.

É bem verdade que os desafios e as adversidades cotidianas na fase adulta são inevitáveis e servem para nos forjar e nos preparar para o enfrentamento de um mundo que não é só de alegria. No entanto, desfrutar da infância é algo que define uma boa formação adulta.

Não quero que você, leitor, confunda trabalho laboral infantil com atividades orientadas pelos pais numa determinada tarefa. Quero me ater à exploração, ao aproveitamento da ingenuidade e da conduta indefesa das crianças. A maioria das pessoas não conhece a escravidão e o constrangimento por que passam milhões de crianças em todo mundo, vítimas do trabalho infantil.

Farei uma análise para além dos números e das estatísticas que tanto nos envergonham, pois isso nós já sabemos que acontece todos os dias. O meu desejo é mostrar a dor e o sofrimento dessas crianças, escravas da exploração e da maldade. Nem sempre tomamos conhecimento desses absurdos e elas continuam sendo obrigadas a trabalhar diariamente, quando deveriam estar na escola para construir um futuro melhor para si e para as suas famílias.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho – OIT, 168 milhões de crianças em todo o mundo estão em situação degradante por causa do trabalho infantil, o que representa cerca de 11% da população infantil. Para piorar a situação, mais de 85 milhões delas realizam trabalhos perigosos, que colocam diretamente em risco a sua saúde, segurança e o seu desenvolvimento moral.

Basta andar pelas ruas para ver a triste realidade laboral de meninos e meninas. Não estamos falando de passatempo ou alguma brincadeirinha sem maiores pretensões. Refiro-me à atividade laboral vista logo pelas manhãs nos semáforos, nas feiras, nos supermercados e até dentro de casa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, aproximadamente três milhões de crianças e adolescentes estão perdendo os seus direitos constitucionais à educação e ao lazer.

A questão é realmente preocupante. Desde 2013, o Brasil vem registrando aumento dos casos de trabalho infantil. Em 2015, por exemplo, ano da última pesquisa do IBGE, cerca de 80 mil crianças nessa faixa etária estavam trabalhando. Elas ficam marcadas pela tristeza, sujas, aprisionadas aos maus-tratos de seus patrões e vivendo uma vida degradante que mais se parece a um campo de refugiados.

Não podemos fechar os olhos para tanta crueldade e tanto desrespeito aos nossos semelhantes, principalmente quando eles são crianças indefesas. Toda criança tem o direito de ir para a escola, brincar e de ser simplesmente criança. Uma infância feliz é a nossa maior riqueza que pode, verdadeiramente, mudar o mundo.

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