Crise hídrica: por menos desperdício e mais consciência

Raquel Muniz / 05/06/2017 - 06h01

Recurso natural renovável. Este é o conceito de água com o qual crescemos. Mas a realidade que se apresenta hoje aos brasileiros e ao mundo é de que a água tem finitude sim. A crise hídrica vivenciada já há quase uma década nos mostra que é preciso cuidar deste elemento que é símbolo da vida ou ficaremos sem ele. Inevitavelmente. O corpo humano é composto por mais de 60% de água. Isso significa que não sobrevivemos sem ela. 

Diante do quadro é pertinente dizer que a nossa falta de consciência sobre a finitude deste recurso hídrico nos trouxe até aqui. É essa falta de consciência que nos leva ao desperdício diário de água, é o que impediu um melhor planejamento para a utilização do líquido da vida e a construção de novas políticas públicas que nos trouxessem soluções.

Se a falta de consciência nos trouxe a crise hídrica, a crise nos trouxe os racionamentos e estes trouxeram-nos de volta a nossa consciência. Porque a partir do momento que nos vimos sem água para beber, para cozinhar, para o banho, para lavar roupas ou mesmo a louça é que nos demos conta do que estamos fazendo com a nossa água. De norte a sul, de leste a oeste, baixa de reservatórios, falta de chuva... Racionamento. 

No entanto, mesmo ante o quadro crítico, não temos visto medidas efetivas e planejamentos a médio e longo prazos para que a crise não se aprofunde ou para que o Brasil saia da situação vivida hoje. Por isso, decidi criar na Câmara dos Deputados uma comissão para debater a crise hídrica em Minas. Esta foi a forma que encontrei de ajudar o nosso Estado a pensar soluções para a questão, a elaborar políticas públicas eficientes que possam ajudar Minas e o Brasil a saírem da crise. 

A comissão foi autorizada no final de maio. Composta pelos deputados mineiros, deve ser instalada nesta semana. Acreditamos que através da comissão vamos além de soluções, vamos realizar ações que possam internalizar em nós, brasileiros, a consciência da importância da água e da falta dela, a consciência de que, se não cuidada, a água vai desaparecer, levando com ela toda a humanidade... Dia a dia, um pouco menos de água, um pouco menos de homens e mulheres que sucumbem à sede.

Só com ações efetivas vamos conseguir reverter este quadro e manter o Brasil como uma das caixas d’água do mundo. As gerações futuras merecem e precisam de nossos esforços, da nossa consciência. Pensar e repensar os nossos valores e as nossas condutas é o que precisamos fazer neste mês de junho, mês em que celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. A natureza conta conosco!

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