Empoderamento da mulher do campo com inovação tecnológica

Raquel Muniz / 26/03/2018 - 06h00

A Comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Situação das Mulheres reuniu-se pela 62ª vez de 19 a 23 de março. É uma das maiores reuniões anuais de lideranças mundiais, ONGs (organizações não governamentais), empresas, parceiras e parceiros das Nações Unidas, sociedade civil, especialistas e ativistas de todo o mundo, destinada a discutir a situação dos direitos das mulheres e o seu empoderamento em todas as partes do mundo.

Essa é uma das principais instâncias de negociação e de monitoramento de compromissos internacionais sobre direitos humanos das mulheres. Na edição de 2018, sob a presidência da Embaixadora da Irlanda junto à ONU, Geraldine Byrne Nason, o evento analisou como novas mídias e tecnologias da informação podem contribuir para a autonomia e o empoderamento feminino, com destaque para a importância da educação digital e as condições das mulheres que vivem nas zonas rurais. 

A ideia é debater aspectos críticos para as mulheres, chamar a atenção e estimular ações concretas.
O Brasil também enviou uma delegação formada por membros de órgãos governamentais, sendo todas mulheres e chefiada por Fátima Pelaes, secretária nacional de Política para Mulheres. 

Apesar de o tema principal do encontro mundial ter sido o empoderamento da mulher no trabalho rural, levando em conta a importante participação feminina na agricultura do planeta, a representante do Ministério do Esporte no evento, Raquel Mota, abordou um importante tema que foi o combate ao assédio contra atletas.

A proposta de discussão partiu dos recentes casos que vieram à tona nos Estados Unidos, quando mais de 100  mulheres, entre elas estrelas da seleção de ginástica olímpica norte-americana, contaram sobre casos de abusos que sofreram pelo então médico da equipe nacional Larry Nassar, que foi sentenciado a até 175 anos de prisão pelos crimes cometidos.

Com a inovação tecnológica, as mulheres não veem mais a internet como uma opção e sim uma necessidade. Atualmente, o mundo digital pode ajudar as mulheres a melhorar sua situação socioeconômica, a exemplo do e-commerce (comércio eletrônico), uma tendência que cresce a cada dia. Essa modalidade de empreendedorismo via redes sociais tem proporcionado um avanço considerável para as mulheres, haja vista que elas podem fazer a divulgação dos seus trabalhos e produtos de maneira mais célere, econômica e para um público bem maior, inclusive internacional, ganhando, assim, visibilidade e excelentes lucros.

Um exemplo exitoso do empreendedorismo feminino em Minas Gerais aconteceu no mês de novembro do ano passado em Belo Horizonte. Pela primeira vez, o governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário e em parceria com treze entidades representativas, realizou uma feira liderada exclusivamente por mulheres.

O acontecimento reuniu cerca de 50 empreendimentos rurais liderados exclusivamente por mulheres e conseguiu contribuir para a inclusão produtiva e a promoção da autonomia econômica da trabalhadora do campo.

Desde que a internet foi popularizada, a mulher do campo extrapolou as fronteiras da área rural e ganhou respeito, credibilidade e, sobretudo, o mundo. Ela consegue estudar e cuidar da lavoura e dos negócios sem descuidar da qualificação. 
Estudar à distância, por exemplo, deixou de ser um mito, uma dificuldade, para se tornar algo acessível, prioritário e de excelência.
Por isso reafirmo: a tecnologia permitiu, ainda mais, a inclusão e o empoderamento da mulher do campo.

 

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