Energia sustentável: o melhor caminho para uma vida ecologicamente correta

Raquel Muniz / 02/10/2017 - 06h00

O Brasil pode chegar a 2050 com uma matriz energética 100% renovável. Ter um planeta mais limpo e com menos impactos ao meio ambiente e à vida das pessoas é o desejo de todos nós. Mas essa é uma transição que deve ocorrer de maneira planejada e gradativa. Para que isso aconteça é necessário, em primeiro lugar, uma mudança drástica na maneira como utilizamos os recursos naturais.

Por mais que o cidadão tenha consciência de que a utilização do combustível fóssil nos veículos automotores e a consequente liberação de CO² na atmosfera seja prejudicial ao planeta, ele está refém das políticas públicas em vigor, que continuam dando ênfase a esse tipo de energia suja.

É mais comum ouvimos falar nas energias hidroelétrica (gerada pela força hidráulica) e termoelétrica (aquela produzida a partir da queima de combustíveis fósseis: diesel, carvão mineral, gás natural, gasolina, etc.). Ambas têm muitos entraves: a hidroelétrica, ainda que de fonte renovável, depende da sazonalidade e incerteza das chuvas, principalmente quando enfrentamos grandes períodos de estiagens e, em muitos casos, risca do mapa povoados inteiros com o alagamento de suas áreas. A termoelétrica, por sua vez, é uma energia mais cara e agride muito mais o ecossistema e o ser humano, pois libera metais pesados como o monóxido e o dióxido de carbono, o óxido de nitrogênio, o dióxido de enxofre, derivados de hidrocarbonetos e chumbo.

Ficar dependentes de uma energia limitada e finita é um grande problema para as futuras gerações. A solução está na produção, a médio e longo prazos, de energias mais limpas e menos nocivas, como é o caso das energias eólica (produzidas pelos ventos), solar, geotérmica (obtida a partir do calor proveniente do interior da Terra) e das marés.

Diversas nações no mundo estão investindo grandes somas de recursos nessas matrizes de geração de energia. Não temos tempo a perder. Está evidente que a qualidade do ar e da água já está comprometida em vários lugares. As mudanças climáticas são facilmente perceptíveis em quase toda a Terra, com destaque para os polos Norte e Sul, onde o degelo de enormes geleiras preocupa os cientistas.

Desde o Acordo de Paris, resultado da Conferência do Clima das Nações Unidas de 2015, o Brasil tem o compromisso de cortar suas emissões de gases de efeito estufa até a segunda metade deste século. Mas não é o que estamos vendo. Na realidade, caminhamos na contramão do que a natureza nos oferece, ou seja, somos um país tropical, com forte incidência da luz solar e ventos satisfatórios para a produção de grande quantidade de energia e não usufruímos disso.

Mas não adianta dispor de tanto potencial energético se os equipamentos básicos para sua produção são praticamente inviáveis para a maioria da população, como é o caso das caríssimas placas voltaicas.

A própria Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel publicou em 2012 a Resolução Normativa nº 482/12, que regula o mercado de sistema de energia sustentável conectados na rede elétrica, permitindo trocar créditos de energia com a rede da distribuidora. Em síntese, o excesso de energia elétrica produzido em uma residência ou em um estabelecimento comercial se transforma em crédito para ser utilizado em um dia que o sistema produza pouca energia, como durante a noite ou em um dia que não tenha vento.

Não resta dúvida que o sistema de compensação de créditos foi o maior e mais importante incentivo ao uso de energias sustentáveis no Brasil. Ele está baseado nos modelos internacionais que deram certo na Europa, EUA, Austrália, Índia e Ásia.

A nossa geração tem um desafio pela frente: fomentar e universalizar o acesso à energia limpa para todos por meio de fontes renováveis, como a solar e a eólica, pois vento e sol é o que temos em abundância.

Preservemos o planeta e acabemos, de vez, com a dependência dos combustíveis fósseis!
 

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