Gratuidade para idosos no transporte coletivo interestadual

Raquel Muniz / 28/08/2017 - 06h01

A situação do idoso melhorou muito na última década, amparada pela Constituição de 1988, e aprimorada em 2003, com a sanção do Estatuto do Idoso, importante conquista para a terceira idade, carinhosamente conhecida como melhor idade.

No entanto, como a sociedade é dinâmica e preocupada mais intensamente nos últimos anos com o conforto e a qualidade de vida dos idosos, chegou-se à conclusão de que era preciso criar mecanismos que proporcionassem a esse público atingir tal ideal.

Dessa forma, resolvi apresentar o Projeto de Lei nº 8.094/17, que altera o Estatuto do Idoso para garantir gratuidade de quatro vagas por veículo no transporte coletivo interestadual àqueles com renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Atualmente são disponibilizados apenas dois lugares.

É importante esclarecer que uma das maiores conquistas culturais de um povo em seu processo de humanização é o envelhecimento com qualidade. Sendo assim, novas necessidades foram pleiteadas pela pessoa idosa, como autonomia, mobilidade, acesso a informações e serviços, entretenimento, segurança e saúde preventiva.

Não podemos negar que a medicina avançou muito e a expectativa de vida dessa faixa etária também. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o número de idosos aumentou expressivamente no Brasil e a tendência é crescer ainda mais nos próximos anos. 

O grande problema é que os últimos governos não encararam como prioridade a terceira idade. O entrave que ainda persiste está relacionado ao desprezo por parte dos mais jovens. A imprensa e as escolas podem contribuir com esse processo de valorização do idoso, mostrando que ele não vive no passado e tem sim muita sabedoria e experiência para compartilhar e transformar a sociedade em que vive.

Sempre fui preocupada com esse público e, agora, como representante dos mineiros na Câmara dos Deputados, continuarei buscando novas estratégias e novos instrumentos legais que garantam proteção social e, sobretudo, ampliação de direitos de quem já contribuiu para o país.

A questão de cobrarmos a ampliação de mais vagas nos transportes coletivos vai muito além de viagens de entretenimento. Na realidade, creio que esse seja o menor dos motivos. Na maioria dos casos, a demanda por tratamento de saúde é o principal objetivo. 

Não é fácil a pessoa ainda ter que custear passagens para fazer determinados exames médicos, realizados a centenas de quilômetros de suas residências, principalmente numa idade já avançada, quando as despesas com medicamentos aumentam consideravelmente. 

Tal medida não contemplará os que ganham mais. Pelo contrário. Queremos ajudar aquelas pessoas já fragilizadas com baixos salários, ou seja, privilegiar os que realmente necessitam. 

Sei que muita gente reclama quando um idoso tem atendimento preferencial e usufrui de benefícios que os mais novos não têm. Mas lembre-se: daqui a alguns anos é você quem estará com a idade avançada. Viver é semear. Valorize a pessoa idosa hoje para ser tratado com dignidade amanhã.

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