Maio Amarelo: um alerta para o alto índice de mortes e feridos no trânsito

Raquel Muniz / 22/05/2017 - 06h00

Cresce o número de veículos nas estradas e, na mesma proporção, a insegurança e o número de acidentes. Não existe mais saída: a nossa gente precisa entender de uma vez por todas que um dos maiores segredos para a redução da mortalidade está em nossas mãos, ou seja, é nossa responsabilidade dirigir sem a ingestão de álcool, obedecendo a velocidade da via, usando o capacete, o cinto de segurança e a cadeirinha. Infelizmente, apenas 28 países (que abrigam 7% da população mundial) possuem leis abrangentes nesses cinco fatores.

As campanhas de prevenção à saúde e de temas de grande relevância foram adotadas após o sucesso do “Outubro Rosa” e do “Novembro Azul”, que alertam a população sobre a necessidade de prevenção contra os cânceres de mama e de próstata, respectivamente.

O Maio Amarelo surge com a proposta de chamar a atenção para o alto índice de mortos e feridos no trânsito em todo o mundo. O objetivo é colocar em pauta o tema segurança viária, além de mobilizar toda a sociedade para engajar-se nessa empreitada, a fim de reduzir o problema nas vias e rodovias. 

Um símbolo, várias cores. Para que não haja confusão, é importante destacar que atualmente existem três meses em que a cor amarela é representativa: maio (acidentes no trânsito), julho (hepatite) e setembro (suicídio). A figura do laço segue a mesma ideia de conscientização já idealizada e bem-sucedida em outras campanhas de saúde, mas não é uma campanha, mas um movimento, uma ação.

O referido desenho faz alusão à saúde e não foi à toa que os idealizadores o escolheram. A intenção é tratar os acidentes de trânsito como uma verdadeira epidemia e, consequentemente, conscientizar cada condutor de veículo a adotar uma postura mais prudente e responsável, haja vista que os dados são realmente alarmantes.

Resolvi apoiar esse assunto porque quero estimular os nossos leitores a promoverem atividades voltadas à conscientização, ao amplo debate das responsabilidades e à avaliação de riscos sobre o comportamento de cada cidadão dentro de seus deslocamentos diários no trânsito. Parece que muitos perdem completamente a noção de que estão guiando um veículo e se esquecem que também são pedestres. 

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre mortes por acidentes de trânsito, realizado em 178 países, definiu o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. Somente em 2009, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito no mundo. Outras 50 milhões de pessoas tiveram sequelas em decorrência de desastres viários

O documento da OMS, que pretende poupar, por meio de planos nacionais, regionais e mundial, cinco milhões de vidas até 2020, verificou que são três mil vidas perdidas por dia nas estradas e ruas – a nona maior causa de mortes no mundo. Acidente de trânsito é o principal responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade; o segundo, na faixa de 5 a 14 anos; e o terceiro, na faixa de 30 a 44 anos. Esses acidentes já representam um custo de US$ 518 bilhões por ano ou um percentual entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto de cada país.

O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito.


Como representante do povo brasileiro, em particular dos mineiros, não me cansarei de cobrar das três esferas do poder Executivo mais investimentos em planejamento e segurança das vias públicas, haja vista que trafegar por elas, hoje, é uma triste aventura. Pistas esburacadas, excesso de veículos, má sinalização, desrespeito às leis de trânsito, esses e outros motivos são os fatores que causam muitos acidentes, ferimentos e mortes.

 Diferentemente do passado, quando as ferrovias eram o principal modal de transporte, vivemos, nas últimas décadas, dependentes das rodovias, seja para transporte de cargas ou passageiros. 

Maio Amarelo: um alerta à segurança no trânsito!

 

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