Novembro Azul: um incentivo à saúde dos homens

Raquel Muniz / 06/11/2017 - 06h00

No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca). São 13.772 casos ao ano e a doença já representa 28,6% dos casos de cânceres no homem, excetuando-se os tumores de pele não melanoma. O maior problema é que não é possível preveni-la, mas o diagnóstico precoce tem sido um grande aliado para a diminuição da mortalidade.

Na intenção de conscientizar a sociedade, em especial os homens, todos os anos no mês de novembro as fachadas de diversas repartições públicas e empresas privadas são iluminadas na cor azul, a fim de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. A campanha, denominada de Novembro Azul, a cada ano recebe mais instituições dispostas a difundir a iniciativa, que já é um sucesso mundial.

Como a doença é assintomática (não apresenta sintoma), muitos acabam se descuidando e não dando a devida relevância ao caso. Essa enfermidade é diferente de outros tipos de cânceres, em que aparece algo no corpo, que provoca medo e faz a pessoa ir ao médico. Na maioria das vezes, só há sintoma quando já está muito avançado e aí já pode ser tarde demais.

A situação é preocupante e serve de alerta para todos os homens, sobretudo aqueles que estão na faixa etária acima dos 40 anos. De acordo com o Inca, somente em 2016 e 2017, mais de 61 mil novos casos foram estimados. Um número muito expressivo que não podemos desconsiderar ou simplesmente fechar os olhos para essa realidade.

Além de iluminar sua fachada na cor azul, a Câmara dos Deputados está dando a sua contribuição. No próximo dia 21 sediará, no Plenário 7, o X Fórum de Saúde do Homem, com o tema Masculinidades e Saúde do Homem.

Para esclarecer as dúvidas que cercam o tema e estimular a população masculina a superar a vergonha e o tabu, a sociedade Brasileira de Urologia elencou alguns mitos e verdades, dos quais destacamos:

a) O câncer de próstata é uma doença do idoso: MITO.
Apesar de o risco para a doença aumentar significativamente após os 50 anos, cerca de 40% dos casos são diagnosticados em homens abaixo dessa idade.

b) PSA aumentado é sinal de que tenho câncer de próstata: MITO.
O antígeno prostático pode apresentar alterações em várias situações, como inflamação ou trauma, que não tem nada a ver com câncer. Por isso, a avaliação médica e o toque retal são fundamentais.

c) PSA baixo é sinal de que não tenho câncer de próstata: MITO.
Estima-se que o câncer de próstata está presente em 15% dos homens com níveis normais de PSA, daí a importância do toque retal, um exame simples e rápido que dura cerca de 10 minutos.

d) Ter pai, irmão ou tio com a doença aumenta meu risco: VERDADE.
A hereditariedade é um dos principais fatores de risco para a doença. Um parente de primeiro grau com a doença duplica sua chance. Dois familiares com a doença aumentam essa chance em cinco vezes.

e) O sedentarismo pode aumentar o risco para desenvolvimento do câncer de próstata: VERDADE.
O sedentarismo e a obesidade estão relacionados a alterações metabólicas que podem levar a alterações moleculares responsáveis pela gênese da neoplasia.
Como médica, sei o quanto é imprescindível realizar exames periódicos. Por isso, demonstre amor a você mesmo: cuide-se logo, pois prevenir é o melhor remédio.
Faço minha a frase da Sociedade Brasileira de Urologia: seja herói da sua saúde.
 

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