Algumas pessoas não precisam de sexo

Simone Demolinari / 03/08/2017 - 11h31

á abordei em outras colunas sobre assexualidade, mas o assunto sempre vem à tona. Talvez, pela curiosidade em querer entender porque, para uns, o sexo é tão fundamental, enquanto para outros não tem nenhuma importância. Por mais diferente que possa parecer, não gostar de sexo não é tão raro quanto muitos pensam; há quem não sinta necessidade de praticá-lo. Estes são os assexuais, popularmente referidos como “assexuados”.
A falta de interesse sexual não pressupõe doença. Pode surgir a partir de aspectos biológicos, psicológicos ou simplesmente sem motivos. Assim como uma pessoa pode sentir pouca fome, outros podem sentir pouco ou nenhum apetite sexual sem que isso seja algum problema. 


O ponto de conflito ocorre quando, dentro de uma relação afetiva, os interesses sexuais dos parceiros se desencontram. Enquanto um tem elevado impulso sexual, o outro tem ausência. Quando isso ocorre, tanto pode haver a ruptura quanto um pode praticar o sexo, mesmo sem vontade, para agradar o outro. Há também alguns casos, um pouco mais raros, em que aquele que não sente desejo permite ao outro ter uma vida extraconjugal. Opta por essa alternativa para não ter que se separar e nem ter a obrigação de praticar sexo. 


Para os assexuais solteiros é mais fácil, mas, mesmo assim, a dificuldade continua sendo encontrar alguém que os compreendam. Por esse motivo eles se uniram e criaram varias comunidades e grupos de apoio para integrar pessoas com afinidade na questão. Além de ter um lugar onde são compreendidos, podem falar sobre o assunto sem ser criticados, não sofrem nenhum tipo de pressão, além de ter um local onde podem encontrar boas parcerias afetivas. 


Sim, eles namoram! 
Não querer sexo não significa não querer se relacionar. Os assexuais são divididos em dois grupos: românticos e arromânticos. Os românticos querem constituir família, casar, ter filhos, mas sem ter o sexo como necessidade. Já os arromânticos não tem pretensão de se relacionarem, querem viver solteiros. 


Ainda existe uma ideia de que quem não gosta de sexo ou é homossexual ou tem algum tipo de problema. É preciso repensar isso. A assexualidade não é algo do qual as pessoas queiram se livrar. Ao contrário, a maioria sente-se plena nessa condição. Este é o caso de Rodrigo que fez a seguinte confissão: “Tenho 32 anos e sou assexual. Fico meses, as vezes anos, sem ter relação. Não sinto falta, vivo uma vida tranquila e feliz. E te falo mais, acho que sou mais feliz que meus amigos que saem todos os finais de semana desesperados para pegar mulher. Eu me divirto igual a eles, porém vou para casa tranquilão”. 


Julgar os assexuais como infelizes ou problemáticos, além de preconceito, é uma forma limitada de pontuar a questão. Os caminhos para felicidade são diversos, cada um tem o seu. 

 

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