Amor, sexo e orgasmo

Simone Demolinari / 27/07/2017 - 06h00

Dia 31 de julho é comemorado o dia do orgasmo. A celebração da data é recente, nasceu na Inglaterra a partir dos anos 90 com o intuito de promover o debate sobre a dificuldade que muitas pessoas sentem de alcançar o ápice do prazer sexual.

Falar abertamente sobre o assunto é importante, pois além de facilitar o acesso às informações relevantes, ainda desmistifica o tabu. Atingir o orgasmo nem sempre é fácil, passa pelo conhecimento do próprio corpo, desinibição e intimidade entre os parceiros. É importante ressaltar que intimidade não tem a ver com o tempo de relação. É possível um casal ter vários anos de convivência, mas não ter abertura para falar sobre esse tipo de assunto. Nesse caso, falta intimidade.

A dificuldade em atingir o prazer é maior entre as mulheres: estima-se que 10% delas sentem orgasmo em todas as relações sexuais, 20% às vezes e 70% raramente ou nunca sentiram. Essa variação pesa basicamente sobre fatores emocionais. É sobre eles que vou tratar.

Tudo começa na infância com as meninas tendo uma educação repressora em relação à sua sexualidade. Em casa, na escola, na sociedade, meninas e meninos são educados de forma diferente. Elas são incentivadas a “se valorizarem” através da inibição do desejo sexual. Enquanto eles são estimulados a se desenvolverem, por vezes até precocemente. Na adolescência a coisa não muda muito. Elas continuam sendo submetidas a uma conduta castradora enquanto eles já desfrutam dos prazeres sexuais. Com tantos estímulos masculinos e repressão feminina, nada mais previsível que chegarem à vida adulta com comportamentos díspares. Isso fica evidente através de algumas condutas: mulheres pensam menos em sexo, tem maior pudor para trair, preocupação com o número de parceiros, dificuldade em separar amor de sexo, medo de ficarem “mal faladas”, algumas ainda mantém o desejo de casar virgem, tem dificuldade em atingir o orgasmo e facilidade para fingi-lo.

Embora isso tenha mudado bastante, algumas mulheres ainda se preocupam mais em proporcionar satisfação ao seu parceiro do que em sentir prazer.

Se colocam sexualmente de forma ousada, insinuante e disposta sendo seu maior deleite impressionar o outro.
Um estudo feito com mulheres entre 18 e 48 anos investigou o motivo pelo qual elas gemiam mais que os homens durante o sexo. A maioria respondeu que fazia isso para proporcionar excitação a eles. Mesmo não estando nem perto de atingirem o orgasmo, elas gemiam para dar sinais de que estariam gostando, e assim fazer com que eles chegassem ao ápice do prazer.

O estudo também mostrou que apesar das mulheres sentirem-se mais excitadas nas preliminares, os gemidos ocorriam com mais frequência durante a penetração, o que confirmou que os sussurros não eram uma reação de prazer e sim de estímulo ao parceiro.
Mesmo com tantas conquistas no campo da liberdade sexual, ainda há muito o que se evoluir.

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