Como estão as metas estabelecidas no início do ano?

Simone Demolinari / 21/09/2017 - 06h00

A cem dias do ano acabar vale a pena uma avaliação: como estão as metas estabelecidas no início do ano? 

Muitas pessoas planejam novas conquistas a cada ano. Objetivos variados que vão desde aumentar ganhos, trocar de emprego, comprar carro, concluir os estudos, até avanços emocionais como tornar-se uma pessoa mais tolerante, dócil, ser menos tímido, mais autoconfiante. Embora muito desejadas, algumas metas são esquecidas no meio do caminho. Isso ocorre em função de três comportamentos sabotadores: 

–A “síndrome do desejo milagroso” - consiste em querer o resultado sem dedicar esforço para alcança-lo. A maioria de nós tem um pouco dessa “síndrome” –se você perguntar a 100 pessoas se elas desejam ganhar na mega sena, provavelmente todos dirão que “sim”, porém poucos estarão dispostos a jogar. Querem ganhar por força de um milagre ou “tropeçando” no bilhete premiado. Mesmo reconhecendo essa impossibilidade, muitos continuam estagnados nesse comportamento fantasioso que em termos práticos não resolve nada. 
–A procrastinação também é uma grande vilã para a realização das metas. Não podemos negar que há um forte componente entre a procrastinação e o medo do fracasso - enquanto eu não coloco meu plano em prática não corro risco de fracassar. Além disso, o procrastinador tende a acreditar, equivocadamente, que conseguirá, em tempo recorde, executar a ação que se propôs. Dessa forma, deixa para os últimos dias aquilo que relegou até então. A adrenalina liberada nesse processo (sufoco/sucesso) faz com que o procrastinador repita seu comportamento entrando num ciclo vicioso. 
–Pessoas regidas pelo “principio do prazer” sentem mais dificuldade de colocarem seus planos em prática. Isso porque o propósito dominante é a busca da satisfação imediata, com isso, indivíduos regidos por esse princípio são impulsivos e imediatistas: fazem hoje e resolvem amanha. Preferem prejudicar o objetivo principal para não se privarem do prazer momentâneo. Gastam dinheiro, mesmo sabendo que precisam economizar. Planejam iniciar uma atividade física, mas não conseguem acordar mais cedo. Querem emagrecer, mas não conseguem parar de comer. A dificuldade em tolerar o sacrifício é tão grande que acabam fracassando no primeiro obstáculo. Este é um comportamento infantilizado muito parecido com o das crianças que querem receber o prêmio sem despender esforço ou contra-partida. 

Aos que desejam realizar as metas estabelecidas para este ano, é preciso ter em mente que as conquistas não obedecem comando de voz, é preciso esforço para vencer a luta entre duas forças poderosas: a razão, que sabe que o trabalho é duro, e a emoção, que reage contra a decisão como um impulso involuntário.

E você, o que irá fazer com seus próximos cem dias?

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