De onde vem a capacidade de superação?

Simone Demolinari / 09/03/2017 - 10h07

Resiliência é um termo usado na física para definir a capacidade de um material em voltar ao seu estado normal, sem deformação, depois de ter sofrido tensão. A psicologia herdou esse termo e hoje usa-se “resiliência psicológica” para descrever o indivíduo com capacidade de retornar seu estado psíquico original, após passar situações de dor e sofrimento emocional. 

É comum confundir resiliência com resignação. Embora sejam palavras afins, resignar significa aceitar pacificamente os sofrimentos da vida. Para alcançar a resiliência é preciso passar antes pelo caminho da resignação. 

Os indivíduos resilientes têm uma competência superior para lidar com as frustrações e contratempos da vida, não deixando os acontecimentos desviarem seu curso. Caem e levantam. Uma boa metáfora seria imaginar aquele boneco chamado de “João Bobo”. Um boneco com uma base arredondada e firme que faz com que ele se levante mesmo após levar uma pancada. Nada derruba o boneco. Mesmo apanhando, ele volta à sua posição inicial, de pé. 

Indivíduos resilientes apresentam algumas características mais desenvolvidas, tais como o otimismo. Conseguem ver a oportunidade na dificuldade. São positivos e confiantes no futuro, mesmo sem um cenário favorável.

Inicia-se na infância. Crianças que são muito protegidas e isoladas dos problemas do cotidiano deixam de “treinar” sua capacidade de enfrentamento. Outra questão também ligada a educação, ocorre quando os pais são excessivamente rígidos ou castradores. Estes tendem a deixar os filhos mais inseguros, ao passo que aqueles que educam os filhos, corrigindo e dando regras, porém sem os criticar, tendem a formar indivíduos mais fortes emocionalmente. 

O meio social também contribui. Aqueles que são mais envolvidos com atividades como trabalho, estudo, círculo de amigos, hobbies, atividades sociais costumam se recuperar melhor de suas mazelas. 

Outra questão muito importante para a formação da robusteza emocional é a forma com que cada um metaboliza os sentimentos. Frente a algum problema, cada um reage de maneira diferente; há os que trilham um caminho mais negativo, se revoltam, entristecem; uns enfrentam, outros sucumbem. Sartre define bem essa questão numa de suas frases, que nos fornece uma boa reflexão: “O que você fez com o que te fizeram?”. 

É importante ter em mente que a resiliência de um indivíduo não está ligada a nenhum traço de caráter ou personalidade, e sim a um processo de aprendizagem e treinamento. Portanto, todos nós estamos aptos a desenvolvê-la. 

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