Educação infantil

Simone Demolinari / 12/10/2017 - 06h00


Precisamos pensar seriamente a forma de educar as crianças, uma vez que é na infância que se estabelecem os processos psíquicos que irão nos acompanhar pelo resto da vida.
Temos sofrido muitas mudanças culturais, sobretudo nas ultimas décadas, e algumas delas são terrenos férteis para o surgimento de comportamentos indesejáveis, como por exemplo a Síndrome do Imperador: crianças autoritárias, exigentes, que ditam as regras da casa fazendo com que os pais obedeçam suas exigências. Um padrão de interação, cada vez mais comum, onde as crianças controlam os adultos.  “Crianças Imperadores” quando não tem suas vontades satisfeitas, mostram-se agressivas. Os pais, rapidamente, agem para realizar seus desejos, reforçando ainda mais seu comportamento. 

Parece estar havendo atualmente, uma inversão de valores onde os pais passaram a ter medo de perder o amor dos filhos, e não o contrário. Dessa forma, ele se veem, cada vez mais, sem meios para tratar com firmeza a educação de suas crianças. 

Recentemente, a autora Pamela Druckerman fez um estudo ressaltando a efetividade do modo francês de educar filhos. Algumas lições trazidas por ela fazem toda diferença na formação psicológica da criança. Alguns exemplos: 

-- As refeições são servidas em horários fixos e as crianças comem uma versão reduzida dos pratos dos adultos. Não há nada diferenciado para atender o paladar do filho. Eles são ensinados a respeitar os alimentos e encorajados a experimentar de tudo sem reclamar. 

-- Outro aspecto importante na cultura francesa é que eles tratam o bebê como um ser inteligente com capacidade de aprender e assimilar a dinâmica da casa. Do ponto de vista prático, isso significa que é possível, sim, ensinar um bebê a ter rotina, a dormir e a ser inserido na rotina  familiar.
-- O horário de ir para a cama é outro item tratado com sabedoria à francesa. Por lá, os pais não costumam passar meses sem dormir para atender o bebê no meio da noite. Os franceses aguardam em torno de dez minutos para ter certeza de que a criança está realmente precisando de ajuda. Eles se permitem, sem culpa, a acreditar que a criança pode estar apenas resmungando ou sonhando e que rapidamente voltará a dormir. Não querem criar um condicionamento inadequado. 

-- Além das palavras “por favor”, “obrigado” e “desculpa”, as crianças francesas incluem na lista, obrigatoriamente,  os cumprimentos: “oi” e “tchau”.  O objetivo é reconhecer o outro como igual,  tirando de si a impressão de que se é a pessoa mais importante. 

-- As crianças não são o centro da atenção dos adultos. Os pais deixam que as crianças façam sozinhas o que está ao seu alcance. Desta forma estimulam a responsabilidade e a autonomia nos filhos desde pequenos. 


Seja qual for a cultura, na educação da criança, devemos ficar atentos à dobradinha: amor e disciplina. Tanto a falta de zelo, quanto o excesso dele pode comprometer seriamente a formação psíquica do filho na vida adulta. 
 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários