O amor supera tudo?

Simone Demolinari / 16/03/2017 - 06h00

Seria o amor um sentimento ilimitado sujeito a qualquer prova? Muitos acreditam que sim, seguem convictos de que com amor é possível superar qualquer obstáculo. Já outros, sobretudo aqueles que carregam consigo experiências negativas no campo do afetivo, têm lá suas dúvidas. 

A estatística sobre as uniões matrimoniais não parece muito otimista. Segundo dados da pesquisa do IBGE, o Brasil registrou 341,1 mil divórcios em 2014, ante 130,5 mil registros em 2004. Esses números revelam um salto de mais de 160% em dez anos. Um cenário revelador que deixa explícito que o “felizes para sempre” não é uma realidade.

É preciso pensar com maturidade sobre isso. Muitas vezes é exigido do amor uma elasticidade emocional que nem sempre o sentimento é capaz de suportar. É inegável que quando amamos ganhamos uma energia extra capaz de enfrentar várias coisas, inclusive aquelas mais audaciosas que considerávamos impossíveis. Mérito do amor. Contudo, ele sozinho não opera milagres. A prova disso é que boa parte das relações não terminam por falta do sentimento, e sim por desgastes. 

Explico melhor. Há uma grande queixa sobre a dificuldade de encontrar pessoas interessantes para se relacionar. Porém, mesmo frente a essa dificuldade, muitos quando encontram não cuidam com o merecido cuidado da relação. 

Não deixa de ser curioso o fato de uma pessoa temer a perda do par amoroso ao mesmo tempo que o submete à condutas desgastantes. E isso ocorre com frequência. Existem pessoas que levam a relação ao nível máximo de exaustão com ciúmes, cobrança, crítica, egoísmo, frieza, traição, atitudes que são verdadeiros drenos do amor. 

Deixar que a relação sobreviva colocando à prova a resistência do sentimento pode culminar no fim do amor. Mesmo os laços considerados fortes não resistem. Seria mais inteligente cuidar e preservar ao invés de testá-lo. Só porque um aparelho é a prova d’água não devemos deixá-lo submerso por horas. Da mesma forma é o amor. Se colocarmos o sentimento a toda prova, estamos exigindo que ele opere em sua capacidade máxima. E isso cansa, enfraquece, debilita. Com o tempo, a fortaleça fragiliza e não encontra fôlego para reerguer-se. 

É preciso ter em mente que o amor é um sentimento finito que precisa ser retroalimentado. Não é possível mantê-lo de pé quando apenas uma das partes o sustenta. É preciso que os parceiros caminhem juntos, em via de mão dupla, na mesma direção. É justamente essa troca emocional que mantém duradouro os laços afetivos. 

Selar uma parceria amorosa com alguém de semelhantes afinidades, tanto de caráter quanto de estilo de vida, humor, gostos e prazeres, torna o cotidiano afetivo muito mais rico, divertido e duradouro e por consequência menos desgastante, entediante e morno.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários