O destruidor de relacionamentos

Simone Demolinari / 10/08/2017 - 06h00

O termo é novo, muitos não tem nem ideia do que se trata, embora já tenham sofrido na pele os danos causados por ele. “Phubbing”: este é o nome do problema que vem, cada vez mais, destruindo os relacionamentos. A palavra nasceu em 2013 e já foi incorporada em alguns dicionários estrangeiros. O termo vem da união de duas palavras: “phone”(telefone) + “snubbing” (esnobar). Assim, phubbing é o ato de ignorar a presença da pessoa que está à sua frente, dando preferência ao uso do telefone.

É unânime o incômodo que sentimos quando estamos conversando com alguém que por sua vez, está com sua atenção voltada para o celular. Além de desrespeitoso, fica a mensagem de que o telefone é mais importante do que quem está presente. Quando isso ocorre com frequência num relacionamento amoroso, torna-se um motivo de constante atrito, quiçá, algo fatal para a união.

Esse foi o caso de Eduardo, um rapaz de 39 anos de idade, casado com Cristina de 37. O casal tinha dois filhos e ambos trabalhavam fora o dia todo, porém, à noite, quando estavam em casa e também aos finais de semana, a esposa tinha grande dificuldade em se desconectar do telefone. Ensinava o dever para os filhos enquanto digitava, fazia as refeições de posse do telefone, na hora de dormir o aparelho permanecia embaixo do travesseiro sendo habitualmente conferido durante a madrugada. De manhã, o primeiro movimento de Cristina era verificar as mensagens e a partir daí não parava mais. Ela alegava sobrecarga de trabalho. De fato, a esposa ocupava um alto cargo numa multinacional. Contudo, isso não servia de consolo para seu marido, que se sentia preterido na maior parte do tempo em que passavam juntos. A relação, que sempre foi sólida, começou a ter sérios problemas.

Casos semelhantes acontecem a todo momento, não só nas relações conjugais, mas também nas de amizade, em almoços de família, reuniões profissionais, atendentes comerciais. Já ouvi relatos onde o telefone roubou a cena até na hora do sexo. O celular assumiu um grande papel na vida da maioria das pessoas, e muitos o promoveram ao grau máximo de importância: “não vivo sem ele”; “se esqueço em casa, volto para buscar”, “sem celular não sou ninguém”. São declarações comuns que demonstram o nível de prioridade conferida ao aparelho. Com isso, qualquer sinal vindo dele, torna-se algo igualmente prioritário. Dessa forma, fica muito difícil não responder ao estímulo. Para algumas pessoas mais conectadas, quando o telefone apita, há uma visível ansiedade para conferi-lo, só retomando ao estado normal após a verificação.

Essa dinâmica dita o novo contexto. O celular que foi criado para ficar a serviço do homem, mudou de papel, ficando o homem, a serviço dele. Essa semana vi um rapaz passeando com um cachorro preso na coleira enquanto manuseava o celular e por isso quase foi atropelado atravessando a rua. Logo pensei: quem está mais preso, o cachorro ou o homem?

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