O que seu ex parceiro tem a dizer sobre você?

Simone Demolinari / 27/04/2017 - 06h00
Se tem algo que os parceiros sabem é o jeito de ser um do outro. Com o tempo, o comportamento vai se revelando e as pessoas se mostrando tal qual como são. Poucas coisas passam escondidas no mundo privado das relações.
 
Parceiros afetivos acabam conhecendo mais um ao outro do que a própria família. Assim sendo, quando um relacionamento chega ao final, fica muito claro para ambos quais as característica de cada um. Dessa forma, uma entrevista com um ex poderia economizar tempo e investimento para quem pretende iniciar uma nova relação. 
 
A exemplo dos currículos profissionais que trazem três contatos de ex-empregadores, as pessoas também poderiam citar nomes e telefones de pessoas com as quais se relacionaram. Assim, o próximo teria a chance de averiguar, em termos gerais, o que lhe aguarda. Mesmo considerando ex alguém suspeito para emitir opinião, a chance de as informações serem pertinentes é bem grande. 
 
Geralmente, no início de um relacionamento, as pessoas buscam mostrar seu melhor. Exibem qualidades e escondem defeitos. Por outro lado, a idealização romântica faz tudo parecer perfeito. Nesse caso, devemos compartilhar a responsabilidade com ambos – tanto aqueles que escondem o que são quanto aqueles que idealizam e desprezam os sinais. 
 
Este foi o caso de Ana, moça de 31 anos que se envolveu com Leo, rapaz da mesma idade, de aparência amável e muito educado. Querido pelos amigos, era tido como ótima pessoa. Ajudava os pais financeiramente e atuava ativamente na educação da filha de 3 anos, fruto do primeiro relacionamento. Ana e Leo começaram a namorar. Passados dois meses, Ana encontrou num banheiro de restaurante a ex esposa de Leo e, nesse contexto favorável, a ex advertiu a atual sobre o rapaz. Disse que foi vítima de violência física, forneceu dados sobre a ocorrência, disse também que a história de ajudar financeiramente os pais era mentira e que não ia ver a filha há meses. Ao ser confrontado, o rapaz negou todas as acusações, desqualificou a ex esposa, chamando-a de “louca”. Ana seguiu a relação bebendo da fonte dos ingênuos: “comigo vai ser diferente”. Não foi. A “louca” tinha razão.
 
Não deixa de ser imaturo pensar que alguém irá mudar radicalmente ou que dessa vez será diferente. Não estou descartando a capacidade de evolução que algumas pessoas tem ao longo da vida. Mas, para evoluir, é preciso querer, se empenhar e se esforçar muito. Falar uma coisa e fazer outra é, além de mentira, desonestidade. Quando palavras e ações estão em desalinho, devemos considerar que as ações definem a verdade. Já as palavras estão a serviço de iludir o outro. 
 
Ter um passado afetivo do qual se pode ser bem referenciado não deixa de ser um bom sinalizador. Neste caso, vale a reflexão: O que meu (minha) ex-parceiro (a) falaria a meu respeito? 
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários