Peço licença, mas hoje preciso falar de mim!

Simone Demolinari / 18/05/2017 - 06h00

Faz dez anos que levo assuntos comportamentais para as mídias: jornal, rádios e revistas. E nesse período sempre mantive canal aberto com o público. À medida em que as pessoas se identificavam com o que eu escrevia ou falava, a troca de informações ia acontecendo. E assim foi. Ao longo do tempo recebi quase 8 mil mensagens de leitores e ouvintes. Os assuntos eram os mais variados possíveis, havia conteúdo triste, engraçado, inusitado, insólito e alguns inacreditáveis. Nunca imaginei que fosse receber tanto retorno.

Muitos queriam apenas desabafar, era comum ler ao final da mensagem: “pode ser que você não me responda, mas só de ter compartilhado meu problema, já me sinto bem melhor”. Outros diziam que era a primeira vez na vida que estavam contando aquilo para alguém.

Li e respondi praticamente todas as mensagens. Sempre senti um nível alto de empatia pelas pessoas que me procuravam. Muitas vezes me vi na “pele do outro”, outras me emocionei, algumas quis ajudar e em todas elas aprendi muito.

É interessante observar que onde há troca, há ganhos bilaterais. Aqueles que me buscavam acreditavam que estavam sendo ajudados, enquanto eu, que recebia toda aquele rico material, sempre acreditei que eu era a ganhadora. Logo quando surgiu a ideia de lançar um livro, não tive dúvida em colocar os leitores e ouvintes como os protagonistas da trama. E assim foi!

O livro está cheio de histórias incríveis, envolventes e interessantes de ler. Uma delas, bem insólita aliás, aparece no capítulo sobre “Sexo a Três” – uma moça resolve dar de presente de aniversário de 5 anos de casados uma festinha surpresa para o marido. A festa era ela, com mais duas outras moças. Na verdade essa era uma fantasia muito mais dela do que dele. Pois bem, a festa mexeu tanto com ela que, tempos depois, ela estava se separando do marido para viver com uma das moças contratadas para a festa. Ela disse que foi “amor a primeira vista”. </CW>

Já no capítulo “Vingança Amorosa”, é surpreendente perceber o que as pessoas são capazes de fazer quando são rejeitadas.

Porém, o assunto campeão de audiência sempre foi os psicopatas – aquelas pessoas frias, egoístas, analfabetas emocionais, sem capacidade de se colocar no lugar do outro, e que fazem do par afetivo um objeto do seu prazer. O psicopata tem o dom “coisificar” seus parceiros não importando o quanto demonstrem ou jurem amar. Um amor ao estilo antiamor. Os psicopatas sempre causam um certo fascínio, tanto na vida real quanto falar sobre eles. Sempre que eu descrevia esse tipo de personalidade, recebia um número superior de participação. É incrível como tem psicopata nesse mundo! E o pior é que eles só pioram com o tempo. Quanto mais velhos, mais perversos.

E foi a partir destes e outros dramas humanos que nasceu o livro. Um livro escrito a inúmeras mãos. Mãos que desconheço, mãos anônimas, disfarçadas, sofridas, porém fundamentais para a construção da: “Verdade Oculta – A Vida Íntima das Emoções”.

(*) Nota da redação: o livro “Verdade Oculta – A Vida Íntima das E[TXT_COL]moções”[/TXT_COL] será lançado hoje, a partir das 21h, na livraria Leitura do Pátio Savassi (av. do Contorno, 6061). Entrada franca.

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