Perversão Sexual

Simone Demolinari / 07/09/2017 - 06h00

Muito se falou essa semana do caso que ganhou notoriedade pública, sobre o homem que foi preso em flagrante após ejacular em uma mulher em São Paulo. Em menos de 24 horas, praticou novo ato de semelhante teor. Tendo uma ficha criminal com 17 passagens pela polícia por crimes sexuais, podemos dizer que este seria mais um caso anunciado – a conduta do abusador demonstra um padrão voltado para reincidência.

Este episódio colocou sob holofotes um problema cada vez mais recorrente em transportes públicos. Segundo dados, somente na cidade de São Paulo, foram registrados 288 casos de abuso sexual em ônibus, trens e metrô, desde o inicio do ano até agora. Isso equivale a pelo menos um caso por dia. Sem contar os casos que não são registrados.

Um comportamento que causa grande excitação nos abusadores é o “froterismo”, que significa friccionar ou esfregar o órgão sexual no corpo de outra pessoa que não consentiu. Geralmente isso ocorre em locais públicos, com várias pessoas, espaços apertados, como os transportes públicos, elevadores, shows e outros locais com aglomerações.

Outro comportamento usual de abusadores é o “exibicionismo”. Trata-se da exibição do órgão sexual a uma pessoa estranha e desprevenida. Muitas vezes acontece em locais públicos, sendo que o exibicionista se esconde estrategicamente em cantos no intuito de surpreender suas vítimas.

Até mesmo o assédio de rua, muitas vezes interpretado como “flerte”, é um ato de violência, tendo em vista que ele cerceia a liberdade de ir e vir e, na maioria das vezes, gera constrangimento e medo. Recentemente, uma pesquisa feita com quase 8 mil mulheres pelo site thinkolga.com revelou que 83% delas se incomodam com as cantadas de rua; 81% já deixaram de fazer alguma coisa como ir a algum lugar ou sair a pé para evitar o assédio e 90% das mulheres já trocaram de roupa antes de sair de casa para não ouvirem cantadas.

Muitos banalizam o assédio de rua, sobretudo quem o pratica. Mas às vezes é preciso sentir a dor da agressão para combatê-la. Pensando nisso, uma empresa peruana lançou a campanha: “Assedie sua mãe”. A experiência era uma espécie de pegadinha, em que homens que usualmente cantavam mulheres na rua tiveram suas próprias mães produzidas com maquiagem, perucas e roupas que as faziam parecer mais jovens. Resultado: elas foram assediadas pelos próprios filhos! Ao ser revelada a verdade, os assediadores de rua se disseram constrangidos e arrependidos. Mas se isso serviu de lição para que não importunassem mais mulheres, não se sabe.

Praticamente todos os casos de abuso sexual são cometido por homens. Não deixa de ser curioso o fato de os abusadores temerem ser abusados quando vão presos. Um medo que eles estimulam diariamente em mulheres.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários