Por que o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas?

Simone Demolinari / 04/05/2017 - 12h07

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou recentemente um estudo mostrando que 264 milhões de pessoas sofrem de ansiedade em todo o mundo. Contudo, um dado curioso foi que o Brasil aparece como o primeiro país neste ranking dos transtornos de ansiedade. Mais de 18 milhões de brasileiros sofrem desse mal. Enquanto a média mundial fica em torno de 3,6%, por aqui praticamente triplica, chegando a 9,3%. 

Frente a esses dados, fica a dúvida do por quê nosso país assume um índice tão alto nos transtornos de ansiedade.

Para falar em influências de nível nacional, precisamos considerar alguns fatores culturais. A cultura influencia diretamente o comportamento e a formação da personalidade do indivíduo e nesse quesito vamos de mal a pior. O Brasil é um país cuja cultura está assentada sobre uma base formada por quatro itens: exibicionismo, competitividade, fofoca e consumismo. 

1- O exibicionismo por aqui é inegável. Há na nossa cultura uma supervalorização da ostentação. Gostamos de exibir o corpo sarado – e muito disso se deve ao clima tropical. Não é à toa que em cidades praianas é maior a preocupação com o aspecto visual. Gostamos de exibir bens materiais, ostentar carros, jóias, relógios, helicópteros, roupas e bolsas que estampam grifes, viagens, entre outras exibições que socialmente não só é bem aceito, como valorizado. 

2- A competitividade fica clara na disputa. Se alguém do meu círculo de amizades troca de carro e se eu trocar por um melhor, isso me posiciona acima dele. Assim também acontece com festas de 15 anos, casamentos, construção de casas, viagens etc. Ao ganhar essa disputa com o outro, ganho também a admiração da plateia. 

3- A fofoca tem a ver com o interesse pela vida alheia que sempre existiu, mas parece que aumentou com o advento das redes sociais. As pessoas sempre gostaram de saber da vida do parente, do vizinho, as revistas de fofoca sempre tiveram muita saída, sites que exploram esse tipo de assunto também são muito visitados. Um bom exemplo de grande interesse pela vida alheia é que aqui no Brasil o programa de televisão “Big Brother” alçou índices maiores que em qualquer outra parte do mundo. 

4- O consumismo tem a ver com os ítens acima, mas em especial há uma crença cultural de que “só é bom o que é caro”. Com isso, o brasileiro desenvolveu uma espécie de fetiche por preços altos. Não é raro de se ver pessoas se endividando fruto de um descontrole desenfreado. Uma tristeza, pois o consumismo é muito mais fonte de infelicidade que felicidade, pois seu prazer é efêmero.

Com essa base cultural acabamos formando uma sociedade ignorante, medíocre e esnobe, que estimula o indivíduo a desenvolver transtornos de ansiedade para conseguir se manter nesse jogo. Um jogo que tende muito mais à doença que à felicidade. 

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