Erramos ao volante sim, e muito...

Sobre Rodas / 24/11/2017 - 16h06

Como se comporta o motorista brasileiro nas estradas? Todo mundo que viaja tem suas histórias para contar, especialmente quando se trata do comportamento e do absurdo dos outros – ultrapassagens pela direita, uso do celular, desrespeito à sinalização, insistência em ignorar o cinto de segurança no banco traseiro. Sim, porque mais complicado é reconhecer os próprios erros e abusos – na prática, somos todos perfeitos, cumpridores de regras e exemplos ao volante. Quando não é o caso, a desculpa está na ponta da língua (foi só um instante; eu estava com pressa, não me dei conta, e assim por diante).

Pois uma resposta mais próxima da realidade surgiu com a pesquisa feita pela Arteris, concessionária que, entre outros trechos, é responsável pela Fernão Dias (BH-São Paulo). A rodovia usada para as observações, no entanto, foi outra, a Régis Bittencourt (São Paulo-Curitiba), a BR-116, que já foi uma das mais letais estradas da malha federal no país. Ao mesmo tempo, foram ouvidos quase 3 mil motoristas pelo país.

O que se viu, de certo ponto, é surpreendente. A média de veículos acima do limite de velocidade ficou na casa dos 29,6%, o que é elevado, mas nem de longe se aproxima dos percentuais de países desenvolvidos como França (41%) e Espanha (38,3%). O mesmo ocorre quando se avalia a distância do veículo que vai à frente – 15,9% insistiram em andar grudados, ao passo que, na Espanha e França, eram 16,5% e 25%. 

Não foi o caso quando se tratou da mudança de faixa sem sinalização. Quase dois terços dos motoristas (59%) demonstraram ignorar completamente a seta, ou pisca-pisca, qualquer que seja o nome que se queira dar. Nos casos de franceses e espanhóis, não se passou dos 40%. E aí estão incluídos, por exemplo, os pesados que resolvem, de forma inadvertida, deixar a faixa da direita para ultrapassar outros mais lentos em subidas, prato cheio para engavetamentos.

O mais preocupante, no entanto, não foi o que se viu, mas o que se aferiu nas respostas dos motoristas entrevistados: nada menos que 51,5% admitiram que, em determinados momentos, fazem sim uso do celular ao volante. Olha que o percentual pode ser ainda maior, já que, com certeza, houve quem não quisesse reconhecer o erro. E isso apesar de todas as campanhas de conscientização, dos números trágicos e da evolução tecnológica (cada vez mais é possível usar as centrais multimídia para conversar ou fazer buscas).

O que é possível concluir de tudo isso? Que realmente as condições das estradas ainda são, na maioria, inadequadas, falta investimento em sinalização e recuperação. Mas de nada adianta ter “tapetes”, estruturas de resgate e auxílio se quem vai ao volante continua se comportando de modo imprudente. Algo a se refletir.

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