Sobre pistas, trilhas e vendas

Sobre Rodas / 12/01/2018 - 18h07

“Vença no domingo, venda na segunda”. Em alguns dos principais mercados do planeta, essa ainda é a lógica seguida pelas montadoras e sua relação com as competições. Ao conquistar seu primeiro título da Nascar, a stock car norte-americana, em 2016, depois de mais de uma década de insistência, os japoneses da Toyota gastaram uma fortuna para divulgar o feito, ainda que, do Camry oferecido nas concessionárias o carro 18 pilotado por Kyle Busch não tivesse um parafuso em comum. O mesmo acontece com a Mercedes e seu sucesso recente na Fórmula 1.

É bem verdade que aquela história de que o automobilismo é o melhor laboratório para o desenvolvimento de produtos e tecnologias não vale tanto quanto em décadas passadas – talvez seja o caso com pneus, combustíveis e lubrificantes, menos com motores e sistemas, que hoje até importam soluções vindas da linha de montagem. Mas há exemplos, inclusive no Brasil, de modelos que ganharam muito com o banco de provas das pistas e estradas de terra. O Fiat Palio (o primeiro, não o mais recente) ganhou vários ajustes e aprimoramentos, especialmente na suspensão, depois de ser devidamente esmerilhado a caminho dos títulos brasileiros de rally de velocidade.

Tudo isso para dizer que, infelizmente, no Brasil as fábricas não seguem o que vem dando certo no resto do mundo. Na Itália, por exemplo, a Seat (Grupo VW) se tornou uma das marcas mais respeitadas e admiradas justamente por conta do investimento no esporte, com carros derivados da produção nas pistas – inclusive a perua Leon ST. Aqui o que resta é uma tímida (para o que já foi) presença da Chevrolet na Stock Car. Se já tivemos fórmulas Ford, Renault, Chevrolet (monopostos); copas Corsa, Uno, Palio e Clio, o cenário é praticamente de terra arrasada. É até irônico notar que uma das únicas marcas que apostam no filão é a Porsche, com sua Copa reservada aos 911 GT3 – você há de convir que os alemães não precisam de publicidade para vender seus esportivos. Aliás, a Mitsubishi merece menção h onrosa, já que acredita nos eventos fora de estrada como instrumento para fidelizar clientes e testar produtos.

Perde o mercado e perde também o esporte, já que as fábricas sequer colaboram no desenvolvimento dos modelos de competição em categorias como o Turismo 1.600cc (Marcas e Pilotos). Poderiam fazer disso inclusive fonte de renda, como fazem na Europa Renault e Peugeot. E depois ficamos nos questionando os motivos da perda de espaço verde e amarela em categorias como a F-1. Aqui, infelizmente os engravatados executivos acham que é bobagem apostar no fascínio das pistas e na paixão que o automobilismo exerce no brasileiro. Não vencem no domingo, mas querem vender na segunda.

 

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