Dedeckembauer

Thiago Pereira / 14/05/2018 - 14h22

Zagueiros: como não amá-los? O grande cimento do futebol arte é o defensor. A razão é simples, basta cavucar a memória e tentar lembrar de alguma cena marcante e histórica do esporte. Conseguiu montar um filminho na cabeça? Então, a chance de, nesta película afetiva mental, aparecerem imagens de jogadores da posição, é imensa. Porque eles são protagonistas ao avesso do grande momento do esporte! Cabe a estes proletários da bola a triste oportunidade de servirem de escada para lances geniais de uma eterna galeria de craques e seus gols inesquecíveis.

Claro que não é sempre assim. Algumas poucas vezes, o zagueiro ganha condição de destaque, para além de sua posição. Para quem acompanhou futebol nos anos 90, por exemplo, é impossível não colocar na prateleira de craques do período nomes como Aldair e Márcio Santos, Mauro Galvão e Wilson Gottardo, Paolo Maldini e Franco Baresi, Andreas Brehme, Frank de Boer, e por aí vai. Particularmente, creio que o melhor da posição que vi jogar foi o paraguaio Gamarra. Era do tipo que praticava o esporte vestindo um terno: chegou a completar uma marca de 724 minutos sem cometer uma falta sequer.

Tudo isso para chegar em um novo mestre da posição, que graças, veste a camisa do nosso Cruzeiro desde 2013; símbolo de superação máxima; o homem que já possuí um adjetivo poderoso em seu nome de batismo: Anderson Vital da Silva, vulgo Dedé. Como cantaram os colegas de Cruzeiro, depois de (mais) uma atuação impecável, ainda em 2014: “É o Mito! É o Mito!”. 

O cabuloso-mor nesta nação de cabulosos. Se é possível cravar a peça mais importante deste Cruzeiro muito louco de 2018, é nosso zagueiro-craque que merece esta honra. Que saudade estávamos de acompanhar seus vôos magníficos na pequena área! Que bom voltar a ter aqueles micro-ataques no coração quando ele resolve, em seus melhores momentos Beckenbauer (o mítico gênio alemão) mandar tudo às favas e atravessar, glorioso, o meio de campo com as bolas nos pés!

Se não fossem as malditas contusões, Dedé já estaria pesquisando preço de vodca para comprar quando chegasse na Rússia.
Em muitos clubes, seria uma absurdo pensar que um zagueiro é o jogador mais caro de sua história. Mas em cinco anos de Cruzeiro, são cinco títulos no currículo. E não é conquista Conmebol não, fera, aqueles que até quem ganha despreza. São três títulos nacionais nesta conta. E com ele em campo, facilita sonhar com novas taças. 

 

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