Já é carnaval para o time do povo

Thiago Pereira / 02/02/2018 - 06h00

De repente, na tarde desta quinta-feira, escuto aquela voz vindo do nada: “ADEMG informa: o provável público pagante para o jogo Cruzeiro X América, no Mineirão, este domingo, pode ultrapassar as 50 mil pessoas!”. De outro nada, a conhecida voz do Tião das Rendas me confirma: “É isso mesmo colega! ‘Pupagante’ recorde do ano no Brasil para o jogo do Campeonato Mineiro”.

Certas coisas mudam, outras não. 

As duas vozes que me capturaram, infelizmente, não estão mais aqui. O saudoso Tião, nos deixou em 2014, silenciando a emoção de escutar a renda como se fosse um gol. Já a antiga administradora do Magalhães Pinto se foi, junto com vários velhos hábitos.

O que não foi embora é a paixão e fé celeste, capaz de entornar de gente qualquer espaço. 

O que nos leva ao ano de 1997, que trouxe duas marcas fundamentais para a história do Cruzeiro. Uma possuí relevo mundial, externo, que amplifica esse escudo para todo o planeta: a conquista do bi campeonato da Libertadores da América. 

A outra é de uma profundidade muito parecida com estas citadas, mas dimensiona uma capacidade afetiva que ultrapassa os onze sujeitos que levantaram aquela taça: o histórico recorde de público no dia 22 de julho, onde 132.834 alucinados celestes invadiram o Mineirão e cravaram este número, que ninguém mais pode superar. O que dirá apagar.

Eu estava lá, espremido entre tantos fiéis, suando, sentindo aquele chão, que ainda abrigava arquibancadas concretadas, tremer de um jeito que só quem viveu, sabe. O tento do genial Marcelo Ramos, que nos garantiu a taça, causou um histórico terremoto que derrubou os tropeiros, as cervejas e os chicabons de muita gente. 

Ninguém reclamava: ali, mais um argumento celeste, gigantesco, foi lançado na eterna discussão sobre quem é o “time do povo”. Sobre quem manda naquela porra ali, e sobre quem nunca quis abandoná-la. E sobretudo, quem tem noção do seu tamanho, seja na sala de troféus, ou no campo, mas, especialmente, fora dele. Um dos maiores e mais verdadeiros clichês do futebol, é dizer que o maior patrimônio de um clube é sua torcida. Neste domingo, é dia de celebrar isso, independente do placar. É dia de atestarmos mais um dos poderes do povo cruzeirense: somos capazes de driblar o calendário e adiantarmos o carnaval. 

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