Libertadores ainda que tardia: a perfeição do Manobol

Thiago Pereira / 10/08/2018 - 14h39

Na última semana, este escriba fez uma pequena dissertação sobre o acontecido no jogo contra o Santos, pela Copa do Brasil, onde o Cruzeiro, em noite definitiva para o Manobol (prática futebolística inventada pelo técnico gaúcho Mano Menezes na segunda década do século XXI), vencera o adversário pelo placar mínimo.
Recapitulando, apontei o quanto tão escola pode ser sofrida para o espectador do ludopédio, mas que possuí eficiência incrível para os torcedores celestes, até agora. Em suma: pode doer os olhos, mas também pode encher as mãos de taças. Que o digam a última Copa do Brasil e o histórico Campeonato Mineiro deste ano.

E se formos falar de taças, sabemos o que nos falta, o que nos interessa, o que nos tira o sono: Libertadores da América, aquela, que tem de vir até nós desde 2009, ainda que tardia. Pois bem, na última quarta-feira retomamos nossa saga, com o providencial “jogo mais importante do ano até então”. Reconheço que não nutria grandes esperanças: afinal demos o azar de enfrentar, logo na primeira etapa eliminatória da competição, o time mais “hypado” do Brasil atualmente, que passou a maior parte da Copa do Mundo comemorando sua liderança provisória no Campeonato Brasileiro, o “mais querido” do povo e dos locutores de futebol–alguém mais anotou um global, depois do primeiro tento celeste ontem, justificar a tragédia com um “O Cruzeiro é um grande time também”?. 

Sim, o Flamengo é nosso primeiro desafio nesta etapa. Sim, trata-se de um time que merece muito respeito. Mas, sim, sou também um imbecil por não lembrar de nosso histórico recente contra eles. E, sim, sim, sim: temos uma arma poderosíssima a nosso favor.

O que? O que? O que? O que? O que? O que? O que?
O MANOBOL, caceta!

Esta invenção do Menezes, que segue pleno em sua fase de aperfeiçoamento. O que aconteceu no Maracanã em sua noite mais azul de todos os tempos – são impressionantes os relatos de que, desde a letra de Alex, em 2003, não se via um estádio rubro-negro tão silencioso e acanhado diante da presença celeste– foi Manobol em estado lapidado. 

Feito um requintado ourives, Mano foi lapidando o que ainda estava em estado bruto na semana passada, contra os paulistas, até alcançar ouro puro. Praticamente tudo funcionou, já que a perfeição divina só seria alcançada com mais os dois ou três gols que poderiam ter saído. Mas não dá pra reclamar não: Egídio em noite de Egideus; Dedé em noite de Dedeckembauer; Lucas Silva em noite de Lucas Salva e Arrascaeta, frio, calculista, em noite de Alaskaeta.
Isso sem contar no gênio Fábio, cada vez mais próximo do sagrado; de Raniel fazendo do segundo tempo um inferno; na esperança de redimir finalmente Thiago Neves, que ainda não fez um bom jogo, mas o que é isso diante de mais um gol decisivo?

E no banco de reservas, um Mano Menezes, maquiavelicamente sossegado, quase sem se levantar, apenas observava o time rival, que já entrara cansado no jogo, correndo sem parar atrás do prejuízo. No fundo, o técnico via, calmamente, sua razão, sua lógica, sua certeza se escreverem, naturalmente, em mais uma página heróica imortal. 

Se esse malandro fosse candidato à presidência, teria meu voto fácil. O que me deixa tranquilo para anotar aqui: eu moro no país Manobol e não pretendo me deportar tão cedo. 

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