Libertadores ainda que tardia- Capítulo 2

Thiago Pereira / 27/02/2018 - 06h00


Como diz o (esquisitíssimo, vamos combinar) ditado: chega o carnaval de 2019, mas não chegava o dia de hoje. Haja jogos do Mineiro para servir de calmante- paliativo- para nossa ansiedade. Pois bem: hoje chegou. Quando o Cruzeiro entrar no campo minado do Estádio El Cilindro em Avellaneda, na Argentina, às 21h30, estará começando o que esperamos ser uma saga que irá definir todo este ano. 

Se tudo der certo, acumularemos até o dia 28 de novembro, alterações significativas no nosso calendário pessoal. Prepare-se para as desculpas esfarrapadas por furar compromissos prévios, conte com as economias específicas no orçamento do mês para encher a cara no Mineirão, e considere toda sorte de imprevistos que possam surgir para tentar atravancar nosso caminho: trabalho, aula, namoro, casamento, contas a pagar, etc. Aquelas partes desimportantes da vida, que servem apenas para preencher o fato de não ter jogo do Cruzeiro na Libertadores (eis uma tradição!) todos os dias.

Avante guerreiros! A nós, toda glória! A eles, a chance de ocupar alguns dias na semana assistindo um torneio internacional e importante pela TV, enquanto passam sufoco com futuros adversários tradicionais do interior acreano na Copa do Brasil, ou com alguma equipe galática do interior paranaense, na Primeira Liga.

Como dediquei o primeiro capítulo desta série, logo após a nossa classificação, conquistar a Libertadores é uma obsessão, uma doença, que data de início dos primeiros sintomas (2009), nos deixam com a pele ainda mais celeste, irritadiços e esperançosos, atentos e nervosos. Se tudo der certo, nos curaremos dela até o final desta temporada: que venha o Racing para começar. 

A edição deste ano do torneio ainda ganha um caráter especial, extraordinário: será a última Libertadores de verdade, raiz, para os fortes. A partir do ano que vem, cortesia dos geniais dirigentes da Conmebol, a final será disputada em apenas um jogo e- que ideia incrível- num campo neutro. Ou seja: coerentemente com o que vemos em outras dimensões de poder e política (Alô Brasil!), temos que aturar um bando de imbecis se esforçando para estragar o que pouco nos resta de bom. É a consagração do futebol de “elite”, feito para aqueles que “podem” pagar passagem para assistir apenas um jogo em lugares como o Marrocos. 

Mas isso só aumenta a importância de terminar bem o que começa hoje. Pra fechar a tampa da última Libertadores que valerá a pena, ninguém melhor que La Bestia Negra.
 

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