Libertadores ainda que tardia- Sobre o medo de ganhar

Thiago Pereira / 26/04/2018 - 15h56

Nem precisava, mas o gesto de Mano Menezes, para a torcida celeste ao fim do jogo em Santiago, na última quinta, explicitava a estratégia adotada pelo técnico no confronto contra a Universidad de Chile. As mãos indicavam claramente que “em BH a gente resolve”, deixando para esta semana o que poderia já ter se desembolado fora de casa.

O jogo foi uma típica estratégia Meneziana: segura firme o primeiro tempo, muda uma peça aqui e outra acolá no segundo e vamos pro contra ataque definir. Sendo franco, faz todo sentido, e Mano sabe ser Mano como ninguém: o gol esteve para sair mesmo, pelo menos em três oportunidades. 

Só que não veio. E aí muda todo o cenário.

Faltou aquela sorte? Faltou sim. Mas faltou um pouquinho a mais de desapego com o empate também. Gostar menos da segurança. Como apontou alguém, “parar de perder é o primeiro passo para começar a ganhar”. Concordo, mas ao mesmo tempo, ter medo de ganhar é a porta de saída para as glórias. 
Estava claro para qualquer um que La U temia La Bestía Negra: tradição é tradição. Assim, era jogo para usar este respeito todo dos caras muito a nosso favor.Mas Mano preferiu “garantir” em casa. 

Será que não era melhor ter gastado o arsenal de ousadia logo nesta partida? É isso que me incomoda. Entrar com a faca no pescoço no Mineirão, depois de amanhã, pode custar mais caro que uns arranhões na jugular. Cabeças podem rolar...

É preciso lembrar que Mano é aquele sujeito que, no primeiro semestre do ano passado cultivou nosso ódio e nosso rancor, mas que no fim do ano, garantiu para si juras de amor e entrou de vez em nossas páginas heróicas imortais. Traduzindo: ele merece confiança, ele parece saber o que está fazendo. Mas haja bílis para acompanhar suas estratégias.

Enfim, chegou a hora do proverbial “jogo do ano”, em 2018. Quando o time pisar no campo na quinta, estará decidindo algo maior do que as convicções de seu treinador. Até agora, ainda podemos passar o pano para suas impaciências nas coletivas pós-jogo, ou ignorar o fato de que, tecnicamente, parece que o Brasileirão ainda não começou para o Cruzeiro.

Tudo em nome da Libertadores que, sim, é nossa prioridade, nossa obsessão. Mas um pouquinho de ousadia será inevitável agora, Mano. Vamos lá. 

 

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