Não é mais uma revolução- mas ainda é um clássico!

Thiago Pereira / 30/03/2018 - 06h00

Clássico é clássico e vice-versa.

Clássico existe para dar contornos às rivalidades esportivas que são eternas, sagradas, intocáveis. Não à toa, ganha este nome pomposo. Fato que, depois dos 6 a 1, depois da era Adílson Baptista, nos habituamos– nós, que temos bi-campeonatos de vários torneios– a chamar o confronto com o rival de ex-clássico, por motivos óbvios. Clássico exige paridade, certo?

Mas é inegável que, por mais que tenha sido um derrota menor, a decisão da Copa do Brasil em 2014 deu uma reaquecida nas coisas. Melhor assim: o maior confronto entre times brasileiros (ok, ok, o duelo gaúcho também tem seu poder) merece sempre usar esta chancela de clássico. 

Trata-se de um jogo que dá cara, alma e coração a esta cidade; é impossível imaginar Belo Horizonte sem o duelo entre o time do Barro Preto e o escrete de Lourdes. Que o diga João Antônio, santo sagrado da reportagem brasileira, que em novembro de 1968 veio à capital mineira decifrar o poder do clássico.

No texto, o jogo em si é coadjuvante. O que vale é são as tessituras marginais do magistral registro do João, descrevendo uma BH embriagada de clássico às vésperas do jogo. É aí, extra-campo, que o autor de obras como “Malagueta, Perus e Bacanaço” e “Abraçado ao Meu Rancor”, revela a magnitude de um Cruzeiro X Atlético-MG, com as provocações, as atmosferas criadas, os barulhos das esquinas, as novas molduras que cercavam as ruas e as avenidas da capital mineira. 

O título do texto entrega seu conteúdo: “É Uma Revolução” e tem um trecho síntese: “Quando o juiz soprar o apito, estará em jogo a sorte de dois partidos políticos, os mais fortes de Minas Gerais – o Atlético e o Cruzeiro. Por enquanto, dura a espera”. 

Por mais que os tempos (e os já citados sacodes que impusemos ao rival, e a torcida única nos estádios e a própria dinâmica do atual futebol, cheio de nutellices...) roeram parte da magia relatada por João, pensar no clássico, viver antecipadamente o jogo, ainda carrega certa magia.

Nossa preocupação principal é o jogo de quarta, na Libertadores? Seguramente. Mas um clássico nunca é de se jogar fora. E o que começa este domingo, é só mais um exemplo da regra primordial do futebol mineiro: comemorar estadual só vale se for em cima do time de Vespasiano. Só assim a cidade se fantasia de capital mundial do futebol. O mestre João Antônio que o diga.

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