O temível Oba Oba Futebol Clube

Thiago Pereira / 12/01/2018 - 06h00

Cervejas rolando no 80, ali na Savassi, aquela saudável sociabilidade de verão, e encontro com o músico Hebert “Tambor” Almeida, bamba que toca em bandas como Manobra, Pelos, Nobat e  ainda em seu projeto solo Negro  Amor. Mais importante: é celeste juramentado e companhia para ótimas resenhas sobre o tema que, desconfio, deve ser nosso favorito.

Afinal, é assim que funciona: não tem jogo, não tem tabela, não tem nada ainda rolando em janeiro. Mas futebol é a pauta das pautas, o assunto dos assuntos. Fundador de teorias inesgotáveis, da recriação de jogos imaginários, de universos que nascem a cada papo.

Poéticas picaretas à parte, Tambor e eu gastamos um bom tempo discutindo as contratações para 2018. A volta de Egídio e Fred; o investimento alto em Edilson, a chegada de Mancuello...Em dado momento, ele soltou uma que resume bem nossas expectativas: é time pro ano inteiro (e não apenas para esta obsessão chamada Libertadores da América).

É. Fato. Trata-se de um plantel (uma das palavras mais legais de todo o dicionário) bastante respeitável sim. 

Mas é também esta a condição geradora de um dos adversários mais difíceis do Cruzeiro, historicamente. Trata-se  de um escrete invisível, fantasmagórico, sobrenatural, que estranhamente, usa a mesma camisa, os mesmos jogadores e a tem a mesmíssima torcida que a Raposa tem. 

É um time chamado Oba Oba Esporte Clube. Seus principais jogadores são “Esse ano vamos/temos que levar tudo”; “Não existe time como este no Brasil”; “Nesta temporada, são dois títulos, no mínimo”. Seu artilheiro é a “Obrigação”. Seu algoz, aquele que nos minimiza nos placares da vida real, é a “Frustração”.

O Oba Oba entra em campo, grandioso,  nos comentários dos especialistas da TV, nos botecos onde os graduados na análise da bola se aboletam, nas esperanças a cada “contratação de peso” anunciada, ao primeiro “tal jogador não é uma aposta, já é realidade”.

Mas faça as contas, como eu e Tambor fizemos: 1993+ 1997 + 2013 + 2017, para ficar em poucos exemplos. O resultado é simples: Cruzeiro bom, é Cruzeiro na miúda, pianinho, humildão, quase “desacreditado”, longe dos holofotes, das grandes apostas. 

Acho que meu amigo concordaria comigo: supergrupos só servem–e olhe lá–no mundo da música. 

 

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