Pequena parábola sobre a dificuldade de fazer gols

Thiago Pereira / 26/01/2018 - 15h35
Começamos com uma espécie de parábola. Um sujeito passou um tempão cortando o mato, despejando litros de suor no chão, para construir uma longa estrada e, depois disso, celebrar o mérito diante da empreitada, justamente ao poder usar a tal da estrada. 
 
Aí, chega um outro sujeito, descansadão, banhão tomado, perfumadão e acelera um carrão, acenando para a platéia. Assim, ele estréia aquele monumento que foi tão custoso para o outro. O público, talvez desconhecendo toda a trajetória do primeiro sujeito, morre de amores pelo segundo.
 
Esta é uma narrativa possível para explicar a atual situação de Fred no Cruzeiro. O outro sujeito, naturalmente, seria o abençoado Rafinha, que saindo do banco, já marcou mais gols este ano do que em todo o seu 2017 com a camisa celeste; já a nossa grande esperança de artilheiro em 2018 foi um dos poucos jogadores do elenco a atuar todos os minutos que o time jogou até agora em 2018. 
 
É notável seu esforço: mesmo ainda um pouco desentrosado, Fred segue buscando o jogo, correndo de um lado, esperando do outro, postura anti-cone exemplar. Logo em seu primeiro lance na volta à casa, no confronto contra o Tupi, um carrinho meio atrasado que impediu o destino certo da bola: o gol. Na mesma partida, outras chances pintaram, mas teimosamente, o cara que, em regra, costuma anotar em suas estreias, não conseguiu marcar na reestreia mais importante de sua vida. 
 
O jogo de sábado contra a Caldense a gente apaga. Foi daqueles para assistir tomando um chazinho de maracujá, um leite morninho, ou qualquer outro líquido indutor de sono. Mas a partida contra o Uberlândia, na última quarta-feira, foi ainda mais ilustrativa para nossa parábola. Foi um tal de chute de Fred beijando a trave, cabeçadas de Fred defendidas pelo veterano Felipe, tentativas desesperadas de Fred para o bendito gol sair. 
Adivinhe quem foi o maior finalizador da partida? Fred. Mas o placar final de 4 x 0 não escondia o artilheiro do jogo: Rafinha! Pior: ele entrou em campo após os 30 do segundo tempo. Ainda pior: marcou duas vezes em um intervalo de três minutos! Bom samaritano, fez questão de dizer, em entrevistas, que o melhor era aproveitar agora, porque daqui a pouco o Fred iria desembestar de fazer gols. Amém, Rafinha. E que você continue nessa toada também. O futebol, às vezes, é reflexo da vida mesmo: sonha que se sonha junto é realidade. E quem espera sempre alcança, Fred! 
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