Pequeno inventário de afetos celestes– Renato Gaúcho

Thiago Pereira / 27/10/2017 - 06h00
supercopa

A semana começou esquisita pra gente. Uma derrotinha completamente dispensável no domingo (Robinho nos agradecerá muito por aquele jogo salva-carreira) e notícias de bastidores da nova gestão cruzeirense que doem muito mais que aquela inutilidade passada no Mineirão–gente que do pó retornará, etc.

Assim, prefiro falar de futebol e memória, uma ótima parceria para quem torce para o Cruzeiro. E o jogo de quarta na Libertadores, a melhor partida que um time brasileiro realizou no ano, me ofereceu um excelente gancho para abrir a caixa de lembranças, que ocasionalmente compartilharei aqui. Batizo de pequeno inventário de afetos celestes e convoco todos a participarem também, via comentários, email ou aquela cerveja marota quando me encontrarem por aí.

O primeiro capítulo é dedicado ao homem que fez e está fazendo história no Grêmio: Renato Portaluppi. Essa assinatura, aliás, só vale para amigos gaúchos como meu parceiro Jonas, tricolor tatuado e que está feliz da vida. Pra gente aqui, o nome certo é Renato Gaúcho.

Renato merece ser o primeiro nome desse meu dicionário pessoal por uma questão simples: foi meu primeiro ídolo no Cruzeiro. Como não seria, para um moleque que pouco antes fazia altares para os super heróis de desenhos animados? 

Mullet style, faixinha marrenta de churrascaria, entrevistas incríveis, dedinho na boca mandando geral ficar calada, e um futebol brilhante, vistoso, raro hoje em dia: Renato Gaúcho era o arquétipo ideal de ídolo. O primeiro superpoder do homem foi a mão cheia de gols que ele fez no Atlético Nacional, da Colômbia, no Mineirão, pela saudosa Supercopa, com direito a gol deitado, uma prévia do notável gol de barriga que ele faria no Fluminense anos depois. Era 1992 e pela TV, o menino que eu era se encantava. 

O feitiço final seria ao vivo e a cores: meu primeiro jogo no Mineirão, no mesmo ano. Como habitual, Renato falou uma enormidade antes, prometendo três gols nas decisões. Domingão de sol à pino, estádio lotado, imagens inesquecíveis para um moleque de 10 anos.

O América com um ótimo time: Milagres, Euller, Flávio, que consegue um empate aos 47 do segundo tempo, depois de Gaúcho ter feito nossos dois primeiros. 

Saída de bola do Cruzeiro, minutos depois, Renato faz o terceiro. Uma semana depois, superaria a própia aposta, anotaria mais um e nos daria o estadual daquele ano. Super herói é isso. 

P.S: Já que a coluna de hoje é inspirada pelo afeto e pela memória, aproveito para divulgar um essencial projeto pilotado por cruzeirenses apaixonados, entre eles os talentosos e parças Guilherme Guimarães e Bruno Mateus. O “Memória Celeste” é, mais do que uma página virtual; é  uma causa em torno de uma historiografia que é rica demais: o Cruzeiro, claro. Em junho eles lançaram o excelente “Eterno– Um capítulo incontestável”, relembrando, depois de duas décadas, um dos maiores jogos da nossa história: o 22 de junho de 1997 que reuniu nada menos que 132.834 azuis no Mineirão, no maior e imbatível público da história de nossa casa. Para assistir, vá ao YouTube e digite o título do filme. 
Agora, eles estão realizando um trabalho incrível, protagonizado por Seu Lúcio, um cruzeirense que vive na Amazônia e possui um verdadeiro santuário azul. Cego, ele se dedica a escrever um livro sobre o Cruzeiro para pessoas portadoras da mesma deficiência. Batizado de “Azul Escuro”, o filme ganhará uma campanha de financiamento coletivo a ser lançada nos próximos dias. Curta a página deles no Facebook e se junte a  essa causa!

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