Quando as segundas valem a pena

Thiago Pereira / 06/11/2017 - 15h53


Um jogo agridoce, esse Cruzeiro e Palmeiras que fez a segunda-feira desta semana ganhar algum sentido–por si só, um ato que merece aplausos, diga-se. Afinal, segunda-feira só serve mesmo pra acompanhar aquelas infindáveis e por vezes insuportáveis mesas redondas no final do dia. Assisto todas, aliás: sou do tipo que, melhor que o jogo, apenas as resenhas sobre ele. Seja na cerveja com os amigos, seja nos comentários dos especialistas favoritos.

(O que me faz lembrar da clássica canção do Boomtown Rats, “I Don´t Like Mondays”, um Bob Geldof antes de virar o santo do Live Aid. Baladão clássico e dramático de piano, quem resiste?)
Enfim, quem gosta de futebol brasileiro sabe que a semana só começa a valer mesmo a partir de quarta. A não ser para quem acompanha a série B. Com isso, tenho pouca intimidade. Sou cruzeirense.

Portanto, essa segundinha foi salva pelo ludopédio no Allianz Parque. Foi um jogaço? Foi demais. Daqueles para lavar a alma de um ano bem ruim de futebol no Brasil: basta ver a tabela do campeonato para perceber que não tem ninguém fazendo bonito. Mas ao contrário dos mais afoitos, não acho que foi o melhor jogo do Brasileirão; dou este título para Cruzeiro x Grêmio, que também iluminou uma inútil segunda-feira, e foi uma partida espetacular, em todos os seus micro-segundos de jogo. Ali, por exemplo, ficou muito claro para mim que Luan é o melhor jogador em atividade no Brasil hoje. E que o Cruzeiro, quando quis este ano, conseguiu ser o melhor time do país.

Este último ponto é a nota amarga do jogo na última segunda. Melhor: deixou claro o quanto custou caro a preguiça dos dois jogos anteriores, contra o Coritiba e a turma de Vespasiano. Foi muito difícil assistir aquele time que assombrou o Palmeiras, especialmente no segundo tempo, e não lembrar dos desperdícios recentes. Foi quase impossível, apesar da barriga cheia causada pela Copa do Brasil, não imaginar que poderíamos estar muito próximos de ameaçar o líder do Brasileirão e sonhar com um inesperado penta ainda em 2017. 

Era simples: tivesse levado os dois jogos anteriores, e ainda segurado a vitória contra o Palmeiras, o clássico paulista deste domingo seria aquele jogo para se assistir (ainda mais) repleto de expectativas. Foi uma segunda com esperanças de primeira, mas realidade de início de semana mesmo. Outra taça, só no ano que vem.
 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários