Apaixonar-se

Tio Flávio / 10/08/2018 - 06h00


Ao ouvir uma palestra do professor Clóvis de Barros, percebi que o conceito de felicidade apresentado por ele se difere muito daquele que eu imaginava. Achava a felicidade bem distante, algo que queremos alcançar, mas que parece nunca chegar.

Aí vem ele nos provocando a refletir que a felicidade são aqueles momentos que de tão bons a gente não quer que passem, não quer que acabem. Mas até esses momentos são fluidos, vão embora.

E mora aí o grande aprendizado: viva-os e aproveite-os deliciosamente. Como disse Rubem Alves: devemos aproveitar os sabores da vida, além dos saberes.
Descobrir algo que goste de fazer, dedicar-se a uma causa, estar disposto a aprender, não achar que já se sabe tudo, isso é, para alguns, logicamente, uma felicidade.

Em Patos de Minas, acabei de conhecer algumas instituições que nos dão ainda mais vontade de viver. É quando encontramos no caminho pessoas que têm brilho nos olhos, que veem os outros como oportunidades de aprendizado e que se eximem do julgamento para desenvolver o amor.

Uma das instituições, a Casa das Meninas, tem uma creche, uma casa de acolhimento, um serviço de contraturno da escola e um asilo, tudo em um ambiente tão bem cuidado.

Mas ao entrar no berçário e me deparar com duas criancinhas sorridentes, de três meses, que foram tiradas do convívio da família por alguma decisão judicial, pensei no que seria felicidade para eles. As crianças estão lindas, bem assistidas, sob os olhares de profissionais, mas sem a própria família.

E eis que encontro uma jovem, formada em direito e estudante de administração, que chegou novinha à casa e hoje é funcionária encarregada de um setor da instituição. Ela, que foi ali uma assistida, hoje é uma colaboradora, com um brilho lindo nos olhos e que me ensinou, por meio da história que a irmã responsável pela Casa contou, que nem sempre a vida acontece como queremos. Mas ela acontece. 

Ache algo para se apaixonar.
 

 

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