Aprendi com um homem: preso e ex- traficante

Tio Flávio / 16/03/2018 - 06h00

Lendo uma entrevista recente, publicada em 14 março deste ano, do “Nem” da Rocinha para o Jornal El País, em que ele aponta com muita clareza uma solução para os problemas de miséria, criminalidade, fome, violência, dentre outros, no Brasil, percebemos que a resposta a todas essas mazelas já existe há muito tempo, está estampada nos nossos olhos, mas pouco fazemos.

Ele mesmo faz a pergunta ao repórter: “você acha que os políticos não sabem resolver o problema da violência?” E o próprio ex-traficante fala a solução: eles sabem que têm que investir em educação e políticas sociais, mas que isso não dá retorno nas urnas.

O que a gente mais tem feito é tentar consertar os erros, remendar o que quebrou, colar os caquinhos. Pouco se investe em qualificação e valorização dos professores deste país, a saúde está abandonada em muitas partes do Brasil, a segurança serve para aprisionamento e em pouquíssima escala para mudar realidades.

Parece que não aprendemos, estamos errando de novo. Muito tem sido feito por pessoas, movimentos, coletivos e ONGs, mas se isso não se transformar em cultura de um povo, em política pública e justiça social, teremos muito trabalho e pouco resultado.

Lembro de uma frase da Madre Teresa de Calcutá, dizendo que a obra dela parecia uma gota no oceano, mas que sem essa gota o oceano seria menor. Sim, parabéns aos incansáveis anônimos, que nunca tiveram um espaço nas mídias ou um reconhecimento de governos, mas que todos os dias fazem grande diferença na vida de muita gente. Mas precisamos de mais gotas no oceano.

Os governos omissos têm outras preocupações, mas devem ser cobrados para que não fujam da sua responsabilidade. Empoderem a educação, a cultura, o esporte, as artes e teremos muita mudança.

Mas, que cada indivíduo, em seu âmbito, faça o máximo que puder para mudar histórias, que seja a sua própria e a dos outros. Que as empresas vejam além e entendam que se não investirmos na infância, não teremos um país que possamos nos orgulhar em 15 ou 20 anos. Ou nunca.

Procurem projetos como o Lá da Favelinha, Embaixadores de Minas, Gass, Fa.vela, Querubins, Salão do Encontro, Crepúsculo, Ascult (Japaraíba-MG), Amavi (Lagoa da Prata-MG), Ciame, Minas dos Sonhos, Somos Raros (Moema-MG), dentre tantos, tantos outros e entenda como apoiar. Não cruze os braços e nem desista. Como disse Martin Luther King (e aqui fica nossa homenagem à Marielle Franco): “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

 

 

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