Obrigado, Dona Délcia

Tio Flávio / 03/11/2017 - 06h00

Na terça-feira, dia 31 de outubro, recebo uma mensagem no celular, com a matéria de um jornal de Contagem, tratando em seu título da morte de uma idosa de 74 anos, atropelada por um ônibus, quando ela, segundo a reportagem, atravessava a rua e acabou desequilibrando e caindo. Outro periódico fala do acidente e completa que “o trânsito estava congestionado no local”.

A idosa em questão é a Délcia Barbané de Paula, uma incansável lutadora das causas sociais, que se dedicava diuturnamente a levar alívio, afeto, apoio, conhecimento para pessoas abandonadas pela sociedade, sejam idosos em asilos, moradores de rua ou homens e mulheres presos.

Dona Délcia, como nós amigos a conhecemos, tinha sempre um largo sorriso estampado, era solícita, não se deixava desanimar. Tinha sempre uma história para contar e contava com alegria. Ela brincava me chamando de Tio Maurício, um outro ser iluminado, que assim como ela, dedica seus dias às pessoas mais esquecidas.
Enfrentou várias dificuldades, mas como Vicentina, não deixava os problemas impedirem que entrasse em um presídio de segurança máxima, passando por vários procedimentos internos, para levar palavras de fé e humanidade para homens que haviam se perdido no caminho. Tinha tanto carisma, que era (e será) respeitada por todos.

Nas APACs (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), tinha um trabalho lindo em várias localidades de Minas Gerais, tendo visitado unidades em outros estados e, inclusive, na sua simplicidade, subiu ao palco de um evento internacional, em São João del Rei, para ser homenageada pela FBAC (federação que regulamenta as APACs) com o mérito prisional. Que feliz e justa escolha e reconhecimento. Preocupava-se não só com os apenados, mas também com as vítimas e suas famílias. Rezava, mas dava “mãos às suas preces”, pois praticava o bem sempre.

Foi atropelada nessa semana, ao sair de uma das obras sociais que ajudava, na cidade de Contagem. Ao ler as reportagens sobre o assunto, eu entendi que muitos não tinham noção de quem essa senhora era e o que representava para tanta gente. Dona Délcia já está imortalizada, no coração e mente de quem a conheceu ou teve o prazer e o presente da sua convivência, podendo aprender um pouco sobre humildade.

Como disse o escritor britânico C. S. Lewis, “humildade não é pensar menos de si, mas é pensar menos em si”. E este exemplo tivemos vivo em Minas Gerais, na pessoa da Dona Délcia, mas em tantos outros anônimos, incansáveis, que doam seu tempo e afeto para uma sociedade mais justa. Siga em Paz, Dona Délcia.


 

 

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