Pensar fora da caixa ou ampliar a caixa?

Tio Flávio / 08/12/2017 - 06h00

Com certeza você já ouviu a famosa expressão “tem que pensar fora da caixa”. Quem não pensa fora da caixa não consegue ser criativo e nem inovador. Mas a palestrante e Doutora em Gestão do Design, Lígia Fascioni, explica o seu ponto de vista.

Com a ajuda do Drew Boyd e do Jacob Goldenberg, autores do ótimo “Inside the Box: a proven system of creativity for breakthrough results” (tradução livre: “Dentro da Caixa: um sistema comprovado de criatividade para resultados revolucionários”) ela explica a razão pela qual o termo virou modismo.

“Primeiro vamos descobrir de onde surgiu essa história de caixa. Segundo os autores, tudo começou com um estudo  sobre criatividade liderado pelo prof. J.P. Guilford, baseado no jogo dos nove pontos. Você já deve conhecer, mas lá vai: o desafio é unir os nove pontos usando apenas quatro linhas e sem tirar o lápis do papel. As pessoas tendem a achar que a solução tem que estar dentro do quadrado imaginário onde estão inseridos os pontos, e a solução (são várias, aliás) está justamente em “sair desse quadrado”.

O estudo descobriu que 80% dos participantes não conseguiam achar uma saída porque ficavam presos no limite imaginário. A equipe que fez o estudo, não hesitou em criar essa espécie de “lei” que dizia que, para ser criativo, era preciso pensar “fora da caixa”.

Foi aí que os gurus da criatividade começaram a usar a expressão (apesar do início ter sido nos anos 70, dá para dizer que a ideia “viralizou”). Todos iam repetindo o mantra até que pesquisadores resolveram tirar a história a limpo e fazer outro experimento usando o mesmo jogo dos nove pontos. Para o primeiro grupo, o teste foi apresentado exatamente da mesma maneira usada pelo professor Guilford. Para o segundo grupo, foi dito que a solução estava em pensar fora do quadrado imaginário, ou seja, deram a dica que quase matava a charada.

Conclusão? No primeiro grupo, como esperado, apenas 20 % dos participantes resolveram o problema. A surpresa foi no segundo grupo: somente decepcionantes 25% conseguiram achar o caminho. Ou seja, repetir o mantra “tenho que pensar fora da caixa” ou mesmo tentar “pensar fora da caixa” não faz diferença nenhuma. É que a caixa somos nós, não há como sair dela. A caixa é o nosso repertório, nosso conjunto de conhecimentos e experiências.

A solução não está em sair da caixa, mas ampliá-la, fazê-la mais rica, equipá-la com mais ferramentas. E o melhor, conectá-la a outras caixas, formando uma rede.”

 

 

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