A Caravana do Lula por Minas mostra os dois Brasis

Wadson Ribeiro / 26/10/2017 - 11h04

Participei em Ipatinga, na última segunda-feira, do início da Caravana Lula por Minas. Ela é uma importante contribuição para o debate democrático no país. Durante uma semana, está percorrendo as regiões dos Vales do Aço, Rio Doce, Mucuri, Jequitinhonha, Norte de Minas e será encerrada em Belo Horizonte no dia 30. Em seu discurso, o ex-presidente explicou a principal motivação para a iniciativa: “Para que a gente possa fazer uma espécie de medição do que era o Brasil há pouco tempo e o que está virando o Brasil hoje”.

Ao comparar os números, a impressão que fica é que estamos tratando de dois brasis. Um era o país governado pelas forças comprometidas com o bem estar do seu povo. Outro, aquele comandado pelas forças usurpadoras que assumiram através de um golpe de Estado e que o fizeram justamente para fazer uma inversão de prioridades. O governo para o povo passou a ser o governo dos ricos. O Brasil soberano e altivo passou a ser subserviente, como se fosse uma colônia destinada a transferir suas riquezas para os países ricos.

A recepção à caravana tem rendido encontros e cenas comoventes. Uma verdadeira demonstração de gratidão pelos programas e investimentos feitos pelos governos populares. O trajeto da comitiva passa pela região mais pobre, que viu sua realidade alterada por programas sociais como o Bolsa Família. Só em Minas, foram 1,1 milhão de famílias atendidas, o que representa um universo de 4,4 milhões de pessoas. Como consequência, 1,4 milhão de pessoas saíram da extrema pobreza.

Alguns programas criados, como o Mais Médicos, que levou profissionais para as cidades do interior, trouxe para Minas 1.556 médicos, beneficiando 5,4 milhões de pessoas em 510 municípios. Nos governos Lula e Dilma foram distribuídos no estado medicamentos gratuitos que beneficiaram 4,65 milhões de pessoas, em seis mil farmácias populares.

Os investimentos em educação chamam a atenção. Foram criadas três universidades - Universidade Federal de Alfenas, Universidade Federal do Triângulo Mineiro e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Além disso, foram criados 16 campus universitários e 43 novas escolas técnicas, que em programas como o Pronatec geraram 947,9 mil matrículas só em Minas.

A educação vinha recebendo cada vez mais investimentos, com o objetivo de diminuir o enorme déficit educacional que sempre atravancou nosso desenvolvimento. Mas foi só o golpe ser consumado para começar os retrocessos. No ensino superior, este ano, as universidades federais tiveram o orçamento reduzido em 11,4% em relação a 2016. Para piorar, dos R$ 7 bilhões que seriam gastos no ensino superior, R$ 2,4 bilhões foram contingenciados.

Os gastos em programas essenciais para estimular o crescimento, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Programa de Sustentação de Investimentos (PSI) seguiram a mesma lógica: desabaram. O PSI sofreu corte de 75% desde junho de 2016. No mesmo período, o PAC caiu de R$ 56,6 bilhões para R$ 36,4 bilhões. O corte no Minha Casa, Minha Vida foi de 71%, de R$ 23,5 bi para apenas R$ 6,9 bi. Quando tratamos dos cortes nos gastos públicos, estamos falando do motor da economia brasileira. O investimento privado no país é feito apenas no esteio do público. Isto explica, em parte, a crise que se alastra.


Para que não se use a desculpa de que não existem condições de investimentos, basta lembrar que para segurar na Câmara dos Deputados a primeira denúncia de cassação, Michel Temer gastou R$ 14 bilhões em emendas parlamentares. E agora na segunda denúncia deve gastar mais R$ 12 bilhões. Assim, não tem país que resista a essa tirania. 

 

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