A energia que une Minas Gerais

Wadson Ribeiro / 24/08/2017 - 06h00

“Em verdade, Minas não seria fiel a si mesma se abandonasse sua instintiva inclinação para sentir e realizar os interesses fundamentais de toda a nação”.

O trecho acima faz parte do “Manifesto dos Mineiros”, lançado em 1943. Organizado por importantes personalidades da época, ficou conhecido como a primeira manifestação contra o Estado Novo. Sua contribuição para a democracia é reconhecida até hoje. Mas aquele gesto guarda proporções além do seu objetivo imediato. Marcou-se ali a força da união de Minas Gerais.

Passados 74 anos, Minas se une novamente. E mais uma vez por uma causa nobre: a defesa da Cemig, um patrimônio que se confunde com nosso Estado. Desde que o governo federal anunciou o leilão das usinas São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande, diversos setores transformaram a defesa da Cemig em causa prioritária. Essas usinas, instaladas no Triângulo Mineiro, representam 50% da energia gerada pela empresa. A privatização trará como consequência o aumento significativo do valor das contas de energia.

Os primeiros a abraçar a defesa da empresa foram seus trabalhadores eletricitários. Dali pra frente, as adesões acumularam-se. Trabalhadores, estudantes, mulheres, movimentos sociais. 

Uma causa que uniu do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) à Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Para demonstrar a unidade mineira, 100% dos deputados estaduais e dos parlamentares mineiros no Congresso Nacional se posicionaram contra o leilão.

O movimento que hoje une Minas tem um significado que vai além da defesa do patrimônio estatal. Ele diz respeito diretamente à grave situação que vive nosso país e à necessidade de unirmos nossas forças para uma saída soberana.

A atuação do governo estadual reforça o seu rumo estratégico de não jogar a crise nas costas do povo. Não aceita privatizar seu patrimônio, não demite servidores, tem honrado seus compromissos. Enquanto outros governos se encontram em paralisia, Minas segue trabalhando.

O mesmo já não podemos dizer do ilegítimo governo que se apoderou do Palácio do Planalto. Vem de lá a sanha de realizar o leilão das usinas da Cemig, em mais um movimento de entrega do patrimônio público que tem caracterizado esse desgoverno.

Como se não bastasse o ataque contra a estatal mineira, o governo Temer anunciou a privatização de outro grande patrimônio brasileiro, a Eletrobras. Uma medida que ameaça o suprimento de energia elétrica do país. Assim como a entrega das reservas do pré-sal, de terras da Amazônia para estrangeiros, a transferência da Eletrobras é mais um crime de lesa-pátria praticado por aqueles que tomaram ilegitimamente o governo do Brasil. Querem em alguns meses dilapidar o patrimônio público que a nação demorou séculos para constituir.

Com o anúncio da privatização da Eletrobras, a luta em defesa da Cemig ganha maior relevância. Mais do que uma campanha dos mineiros, ela significa uma defesa do Brasil enquanto nação soberana.
 

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