Arranjos Produtivos Locais impulsionam economia mineira

Wadson Ribeiro / 30/11/2017 - 11h17

Nos últimos meses, o que mais se ouve é que o Brasil enfrenta uma das piores crises econômicas da história. Diante das dificuldades, a sociedade entra numa espécie de estado de inércia, com poucas alternativas apresentadas para a retomada do desenvolvimento. Felizmente, surgem iniciativas que seguem em outra perspectiva, buscando potencializar segmentos econômicos que apresentam potencial de crescimento, mesmo no cenário adverso. É o caso dos Arranjos Produtivos Locais (APLs), que são compostos por um conjunto de empresas de um segmento produtivo, localizadas na mesma região, trabalhando de forma cooperada e sinérgica.

Com a produção organizada a partir de regiões e vetor econômico, a estruturação do APL não só cria uma identidade para o grupo de empresas, mas também propicia uma série de benefícios. O segmento passa a participar de políticas públicas dos governos federal e estadual, desenvolvidas especificamente para os Arranjos Produtivos, como editais de financiamento e linhas de crédito subsidiadas. As empresas têm também ganhos tanto em competitividade, quanto em escala. Algumas dessas estruturas, por exemplo, dividem maquinário, outras organizam capacitação e também buscam, em conjunto, suprir as necessidades de mercado. Além disso, a organização traz outras vantagens, como mais facilidade em organizar treinamento e capacitação de mão de obra.

Este instrumento impulsionador da economia mineira foi criado em 2006, mas desde 2013 não era feito nenhum reconhecimento de novo APL. O caminho apresentado pelo governo de Minas foi de retomar o potencial econômico regional e assim os arranjos tornaram-se prioridade. No Estado, já existem 41 APLs reconhecidos e organizados. Neles, está presente toda a diversidade mineira, do ponto de vista econômico e territorial. Na última terça-feira, por exemplo, foi reconhecido e classificado mais um arranjo, desta vez do setor moveleiro da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele é formado por cerca de 500 empresas instaladas em 34 cidades, que geram quase 10 mil postos de trabalho. 

Em Minas Gerais, são cerca de 3 mil indústrias no setor, que geram 37 mil empregos. A produção estadual é de 60 milhões de peças, que movimentam R$ 6,7 bilhões.

Antes do moveleiro, foi reconhecido o segmento de produção de biscoitos da cidade de São Tiago e também os setores produtivos de cervejas artesanais na Região de Juiz de Fora e na Metropolitana de Belo Horizonte. Existem também o polo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí, o de criação de suínos em grande escala em Ponte Nova, a produção de pequi no Norte de Minas, aos móveis de Ubá, o setor de moda íntima de Juruaia e o polo produtor de gemas e joias em Teófilo Otoni.

Para dar representatividade aos diferentes grupos com vocações para APLs, o Estado institui ações articuladas com parceiros, como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Câmaras dos Dirigentes Lojistas (CDLs), Associações Comerciais e Sindicatos Laborais. Neste sentido, foi celebrado, também nesta semana, um acordo de cooperação com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para contar com o apoio desta importante instituição na orientação e organização de pequenas empresas em todo o estado. Juntar todas as forças no momento difícil em que passa a economia brasileira é a única saída encontrada, para transformar a crise em oportunidades para pequenos e médios empresários que têm nos APLs uma alternativa de sobrevivência e crescimento. 

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