O artesanato mineiro como vetor de desenvolvimento

Wadson Ribeiro / 07/12/2017 - 06h00

Podemos identificar Minas pelo seu artesanato. Na carranca do Rio São Francisco, nas bonecas do Jequitinhonha, na pedra sabão de Ouro Preto, nos bordados de Mariana, nas esculturas de madeira de Prados, na arte em palha de Cipotânea. Rico e diverso, o artesanato é, no seu modo de fazer, a mais autêntica representação das Minas e dos Gerais.

Apesar da sua importância, apenas agora será instituída uma política pública estrutural voltada para o setor. O Plano Mineiro do Artesanato será lançado em março do próximo ano. O governador Fernando Pimentel instituiu cinco grupos de trabalho encarregados de elaborar o diagnóstico e propor medidas e políticas públicas para o setor. Eles reúnem diversas entidades, secretarias de Estado e bancos públicos, e sua produção envolve a participação popular através de oito reuniões públicas, que vão escutar e permitir a construção colaborativa do plano.

O plano mineiro do artesanato é a primeira iniciativa do poder público que aborda o artesanato em diversos aspectos, o retira da lateralidade e o coloca como vetor de desenvolvimento econômico. Valoriza seu aspecto cultural e simbólico, mas potencializa sua vocação econômica, organizando uma cadeia produtiva composta por 300 mil mineiros e que movimenta três bilhões de reais. Minas liderou o ranking dos estados brasileiros que mais exportaram artesanato em fevereiro de 2017.

Foram identificados três territórios com maior potencial por nutrirem no setor a vocação como vetor econômico. São regiões onde a produção artesanal é muito pujante, geradora de emprego e tributo. O Campo das Vertentes, com seus tapetes e bonecas de pano. O território dos Inconfidentes, que tem seu maior potencial no artesanato em pedra sabão. E o Vale do Jequitinhonha, com a produção baseada principalmente em artigos de cerâmica.

Nos Territórios Criativos do Artesanato serão constituídas as Salas Mineiras do Artesão, na qual, em parceria com as prefeituras, o governo vai abrir um canal de atendimento direto com o produtor e o consumidor, prestando orientações sobre formalização, calendário de feiras, qualificação e confecção da carteira nacional de artesanato. As salas serão inauguradas em janeiro, em Ouro Preto, em fevereiro, em São João del-Rei, e em março, no Jequitinhonha.

Quem quiser comprovar a beleza do artesanato mineiro e seu potencial, pode visitar até domingo próximo a 28ª Feira Nacional de Artesanato, que acontece no Expominas, em Belo Horizonte. Foram montados 1.200 estandes, onde estão expondo sete mil artesãos de todo o Brasil. Destes, mais de mil são provenientes dos diversos Territórios de Desenvolvimento de Minas Gerais. A expectativa é de que o evento movimente R$ 60 milhões e receba um público de aproximadamente 180 mil pessoas.

 

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