Pequenas ideias, grandes negócios

Wadson Ribeiro / 19/10/2017 - 06h00


Iniciada na terça-feira, com a presença do governador Fernando Pimentel, termina hoje em Belo Horizonte a Feira Supermercadista e da Panificação – Superminas Food Show 2017. Ocupando os 25 mil metros quadrados do Expominas, é considerada o maior evento empresarial do Estado, atraindo compradores e expositores de vários países. A expectativa é a de que a feira repita o sucesso de 2016, quando movimentou cerca de R$ 1,7 bilhão em negócios. Um avanço já foi registrado: houve um aumento de 20% no número de estandes, alcançando 480 expositores.

No momento em que o país passa por sua mais grave crise institucional e econômica, a Superminas é uma ação providencial. Nunca a pauta do desenvolvimento foi tão estratégica para a nação. Os dados mostram que, na crise, quem “segurou” a manutenção de 52% da massa trabalhadora foi o setor de serviços e pequenas empresas.

Entre os decorados e chamativos estandes das maiores empresas alimentícias da América Latina, chamam a atenção do público 54 produtores da pequena indústria de alimentos de todas as regiões mineiras. O doce de Araxá, o café do Sul mineiro, o queijo curado do Campo das Vertentes, os frutos do Cerrado produzidos nos irrigados campos do Jaíba. Além de diversos outros produtos que são conhecidos por duas características: sua grande qualidade e a dificuldade de escoar a produção.

Os pequenos produtores dificilmente iriam participar de um evento do porte da Superminas. Porém, graças a uma iniciativa da Associação Mineira de Supermercados (Amis), em parceria com a Secretaria de Estado Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais, foi iniciado o projeto que tornou possível colocar o pequeno produtor nas gôndolas dos grandes supermercados. O Circuito Mineiro de Compras Sociais identifica em todas as regiões a produção em pequenos negócios, promove ações de capacitação e orienta o pequeno empresário para que tenha capacidade de negociar com grandes varejistas.

A iniciativa possui duas fases. A primeira trata da capacitação dos empreendimentos, cujos empreendedores aprendem técnicas de comercialização com supermercados, formas de potencializar o negócio, métodos de exposição dos produtos. A segunda fase é a inserção dos empreendimentos em grandes feiras empresariais de Minas Gerais, nas quais têm a oportunidade de expor seus produtos para um público especializado de grandes compradores.

Mais que eventos de formação empreendedora, os encontros realizados nas regiões mineiras promovem um amplo leque de oportunidade de negócios. Foram realizadas seis etapas regionais, que reuniram centenas de microempresários. Entre eles, foram selecionados por um edital os 54 pequenos expositores que participam da SuperMinas.

Ao oferecer a oportunidade para que esses produtores participem deste evento, o objetivo é incentivar o salto necessário para que o pequeno empresário se torne médio e que o médio se torne grande. Fazendo assim, que o círculo virtuoso do desenvolvimento econômico possa voltar a existir. É uma ação pontual, que acontece uma vez ao ano, mas é de ações como essa que precisamos para afastar de vez a crise e botar o gênio do caos de volta na lâmpada.

Comemorando sua participação na Feira, um pequeno empresário resumiu numa frase como está enfrentando o difícil momento da economia: “na hora da crise, tem quem chora, tem quem vende o lenço”.

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