Princesa no título, rainha no coração dos súditos ingleses e adorada por milhares em todo o mundo. Lady Di, que morreu tragicamente há 20 anos, marcou uma época pelas ações solidárias, as quebras dos protocolos reais e, sob os holofotes da mídia mundial, concretizou-se como um ícone da moda. 

Ao lado de grandes estilistas, como Catherine Walker (a preferida) e Gianni Versace, revolucionou o código do vestir de Buckingham e explorou o poder comunicativo das roupas que usava.

“Diana tornou a realeza britânica mais próxima do povo. Criava os filhos como cidadãos, sem regalias. Sorria para as pessoas. Comunicava a identidade pela moda”, observa Gabriela Penna, professora de História da Moda da UNA.

Influência

Embora reconhecida como um ícone fashion dos anos 80 e 90, Diana Spencer é vista como uma figura de um tempo. Ela rompeu com o perfil de princesa idealizada pouco tempo depois do casamento com o príncipe Charles, impondo personalidade e força em posições políticas e nas próprias atitudes.

“Lady Di questionou o papel da mulher na sociedade, separou-se em uma família em que isso é raro. Ela é um ícone feminino e, com o lugar que ocupa no nosso imaginário, a influência que ainda tem vai custar a ir embora”, acredita Carla Mendonça, professora do curso de Design de Moda da Fumec.

O comportamento elegante de Diana, favorecido pelo próprio biotipo da princesa – longilínea e de traços delicados –, era um dos pontos que mais chamava as atenções do mundo da moda e, claro, dos súditos ao redor do mundo.

E essa elegância também ficava clara nas peças que escolhia. “Eram roupas muito bem desenhadas e chiques. As composições eram copiadas por todos, inclusive pela indústria mineira. O estilo dela fez movimentar até a indústria têxtil”, relembra o professor e designer de moda Paulo André Ferreira.

Antes e depois

A moda na vida da princesa de Gales foi algo tão representativo, que é possível observar uma clara transição de estilos à medida em que Lady Di assume seu papel social. 

De looks românticos, que transmitiam uma aparência frágil, ela passa a ousar nos decotes e brilhos e usar o preto em eventos diurnos, por exemplo. Conforme as regras da realeza, a cor é reservada apenas para períodos de luto. 

“Diana tinha um papel político, que exigia certa compostura. No entanto, sentia-se à vontade para usar ombros de fora, decotes mais profundos e bem desenhados, cintura marcada. Ela trouxe elementos para a moda com os quais as pessoas não estavam acostumadas”, afirma Paulo Ferreira.

Referência

Observado dos dias atuais, o perfil de Lady Di, que escolhia o que iria vestir (ao contrário do rotineiro na família real) e usava as roupas que lhe favoreciam, é um convite a entender o movimento contemporâneo da moda, da exploração da liberdade do vestir, de mostrar identidade por meio do vestuário e dos acessórios.

“Ela nos leva à reflexão de que não existe certo ou errado, de que podemos nos encontrar na moda. Há preços e tamanhos para todos, adequados à nossa verdade. Não é preciso seguir manual de estilo. Devemos vestir o que nos deixa bem e confortáveis”, coloca Gabriela Penna.

Diana: Her Fashion Story

Em Londres, exposição no Palácio de Kensignton reúne extraordinária coleção de roupas, desde vestidos de noite glamourosos e brilhantes até os elegantes trajes que compunham o guarda-roupa de trabalho

Mostra

A exposição “Diana: Her Fashion Story”, inaugurada em fevereiro deste ano em homenagem aos 20 anos da morte da Princesa de Gales no Palácio de Kensington, em Londres, onde ela viveu por mais de 15 anos, traça a evolução do estilo da princesa.

Veja fotos da exposição e de roupas icônicas na galeria abaixo:

“Diana era uma das mulheres mais fotografadas do mundo, e todas as escolhas de moda dela foram cuidadosamente examinadas. A exposição explora a história da jovem que teve que aprender rapidamente as regras reais e diplomáticas, e que colocou foco na indústria da moda e nos designers britânicos”, revela Eleri Lynn, curadora da mostra.

A exibição apresenta vestidos usados em compromissos de alto padrão em todo o mundo, mostrando a compreensão da princesa sobre como implantar a moda como uma ferramenta social.

“Nós a vemos crescendo em confiança ao longo da vida, assumindo cada vez mais o controle de como ela estava representada e comunicando-se inteligentemente através das roupas. Esta é uma história em que muitas mulheres do mundo podem se relacionar”, completa Lynn.