Nem todo mundo tem o privilégio de desfrutar de uma varanda no apê ou de um jardim no alpendre de casa, mas muitos desejam, mesmo que em um espaço pequeno, cultivar um pouquinho de verde e se sentir mais próximos da natureza. Fato é que nem sempre é possível juntar a fome com a vontade de comer e escolher plantas bonitas, duráveis e fáceis de cuidar. Para esses casos, melhor mesmo é optar pelas folhagens, que requerem menos manuseio e sobrevivem bem até à meia sombra. 

Dica fundamental antes de sair às compras é observar o grau de ventilação e de iluminação que se tem em casa, ensina a paisagista, urbanista e gestora ambiental Carla Pimentel, que assina a edição 2017 da CasaCor Minas. “Se houver luz boa e um pouco de entrada de sol, elas conseguem viver bem. Mas se o ambiente for escuro e fechado, irão durar no máximo três meses”, ressalta. 

Interessante também é deixá-las distantes das saídas de ar-condicionado, pois o equipamento resseca não só o ar, mas também as folhas e até o caule das plantas. 

Espécies como zamioculca (conhecida como árvore do dinheiro), ráfia e árvore da felicidade são mais fáceis de se adaptar e necessitam de menos luz. Já similares no porte, como o bambu mossô (ou chinês) e alguns tipos de palmeira, são plantas mais solares. 

Plantas para dentro de casa

No quarto? Sim! Muita gente acha que “dormir com elas” faz mal. Um equívoco, garante Fabiana Visacro. A quantidade de gás carbônico liberada é 20 vezes inferior à expelida por nós, humanos. Orquídea, jasmim e lavanda são ótimas opções. No banheiro, a umidade do chuveiro também é útil para o ciclo de vida de algumas espécies, já a luminosidade é essencial para todas elas. Apesar de “antigas”, samambaias são uma ótima pedida, pois podem ser penduradas e não ocupar espaço

Ficar de olho na rega também pode fazer toda a diferença, reforçam as arquitetas Amanda Ribas e Lorena Romão, da Desígnio Arquitetura e Interiores, em Belo Horizonte. “Ao contrário de plantas de áreas externas, que precisam se adaptar a agentes climáticos, como chuva e ventos, algumas espécies voltadas para o interior são mais práticas e não demandam rega em excesso”, afirmam, citando, novamente, a democrática zamioculca, que pede água a cada três dias. 

Flores

Segredo para ninguém as flores são, sim, mais sensíveis e, portanto, menos duráveis. Se refazer o arranjo a cada sete ou 15 dias, dependendo da espécie escolhida, não for problema, invista nelas, que embelezam qualquer ambiente de forma delicada e bastante harmônica. 

Paixão de muita gente, as orquídeas são um capítulo à parte. Precisam de luz natural, água na medida certa e boa ventilação. Até as raízes (acreditem!) têm necessidades especiais. “Toda vez que saírem do vaso é hora de substituí-lo. Essa é a forma encontrada pela planta para comunicar que precisa de mais espaço para se desenvolver”, ensina a designer Fabiana Visacro.

A rega ideal é utilizando dois copos pequenos de água por semana e o local perfeito é o mais próximo possível de uma janela onde fiquem bem ventiladas. Ao retirar uma folha amarelada, passe canela em pó no local. O condimento é cicatrizante e fará bem à planta. 

Plantas para dentro de casa

Flores tornam qualquer ambiente mais bonito e delicado, mas não são perenes, pois dependem do sol. Algumas, como as astromélias (foto à esquerda) ficam bonitas por até duas semanas; já as orquídeas têm floração de dois meses. Assim como as suculentas, as violetas adoram umidade e claridade. Mantenha-as próximas de janelas iluminadas, mas distantes do sol, que pode queimar as folhas. Água é sempre bem-vinda, mas em pequena quantidade


Pouca prática

Suculentas e cactos são bem-vindos na casa de quem tem pouca prática ou paciência. Importante, porém, é adubá-los de vez em quando. Apesar da simplicidade e de crescerem com facilidade em qualquer canto onde são plantados, ficam mais fortes se recebem atenção extra. Samambaias, espada-de-São-Jorge e ripsálias (rabo-de-rato) também são de fácil trato e se desenvolvem em ambientes com pouca luz.

Musgos e ‘daninhas’: opções criativas para a falta de tempo

Ao contrário do que se pensa, as ervas consideradas daninhas, que nascem espontaneamente e se alastram com facilidade, e os musgos, formados na umidade, podem ser cultivados em casa como plantas ornamentais. Para quem tem pouca intimidade com o assunto, então, são mais do que opção charmosa e exótica. Por demandarem pouco cuidado, são também práticas.

Plantas para dentro de casa_Luiza Soares, O Ateliê de Cerâmica

 Paisagista Luiza Soares, d’O Ateliê de Cerâmica, transforma plantas consideradas invasoras em lindos arranjos

A arquiteta, paisagista e ceramista Luiza Soares, proprietária d’O Ateliê de Cerâmica, descobriu a possibilidade ao observar o que crescia no quintal da loja, que fica em Contagem, Grande BH. “Tudo começou com um trabalho de observação. Aos poucos, percebi que era possível mantê-las onde nasciam, bastava tratá-las de forma adequada”, comenta, mencionando, principalmente, a necessidade de poda regular. 

Nos vasinhos de cerâmica ela planta aguapés e transforma suculentas em bonsais forrados com musgos e morugem, tipo de “matinho”, como ela mesma denomina. Segundo a paisagista, todas as rasteiras, que servem geralmente de forração, como dinheiro em penca e tostão, podem ser cultivadas, desde que observado o ciclo de crescimento. O objetivo é evitar que elas tomem conta e sobressaiam às demais. 

É possível comprá-las em feiras e encontrá-las em canteiros de rua. “É preciso tratá-las como um microambiente, dando o cuidado que precisam”, enfatiza Luiza.

Além disso:

Há tempos, as hortas se tornaram queridinhas de quem gosta de cozinhar e de cuidar de plantas. Afinal, há coisa mais prática do que ter temperos frescos sempre à mão? Ideal é que as ervas – tomilho, manjericão, alecrim e hortelã, por exemplo – recebam sol durante a maior parte do tempo, explica a bióloga Paola Patrocínio, proprietária da Floricultura Beija-Flor, em BH. Boa claridade, no entanto, pode ser meio caminho andado para que se desenvolvam com saúde e qualidade. Priorize um cantinho próximo da janela ou da varanda, se for este o caso. Como absorvem bastante água, é preciso regá-las diariamente e dar preferência a recipientes de materiais que retenham mais líquido, como o barro. No caso do orégano, alerta Fabiana Visacro, é preciso pelo menos quatro dias de sol direto para que sobreviva. Já o alecrim (à direita), deve ser podado sempre que florescer.

Plantas para dentro de casa

Ervas precisam de sol direto ou de pelo menos boa luminosidade para crescerem saudáveis; quando o alecrim florescer, corte as flores para que o desenvolvimento da planta não fique prejudicado