Reza a lenda que a receita mais antiga de bolo teria saído das cozinhas do Egito Antigo, quando ingredientes e preparo eram básicos, bem diferente dos dias atuais. A iguaria foi se sofisticando tanto com o passar do tempo que agora ostenta uma infinidade de versões e status de sobremesa. Caiu ainda mais no gosto do consumidor e hoje há lojas inteirinhas ou profissionais dedicados a oferecer todo tipo de variação – simples, recheada, pelada, com massa firme ou fofinha, frutas e até flores. Alguns são verdadeiras obras de arte. 

Pelo Instagram é possível acompanhar e encomendar o trabalho de Renata Bastos Zanetti. A “fazedora de bolos”, como se denomina, trocou de profissão há poucos meses, mas há três anos vem se dedicando a cozinhar delícias em forma de massa, recheio e cobertura, ao lado do marido. 

Bolo Renata Barros Zanetti
Receita de Renata Zanetti virou sensação no Instagram, onde contabiliza mais de 20 mil fãs; quitute feito em BH é 100% exclusivo

O tradicional à base de chocolate, carro-chefe da @rebzanetti (perfil na rede social com mais de 20 mil seguidores), é garantia de cliente satisfeito, afirma a proprietária. Para além das variações com ganache, caramelo com flor de sal, amêndoa ou nozes e morango, a receita, feita sob encomenda e com exclusividade para cada cliente, é “imbatível”, garante.

Exclusivo

“Bolo, para mim, é como uma tela em branco. Não faço projeto. É um processo totalmente emocional, intuitivo”, define, ao mencionar os acompanhamentos: decoração com flores frescas ou desidratadas (processo feito por ela mesma) e uma caixa tão caprichada que pode virar até presente. 

O cardápio tem ainda milho com doce de leite, limão, queijo com goiabada, pêra com calda-surpresa, tangerina e cheesecakes de frutas vermelhas e Nutella. Os bolos servem de 12 a 40 pessoas e, é bom lembrar, precisam ser encomendados com antecedência.

Bolo pelado

Outra que fez nome em BH graças, sobretudo, ao queridinho entre os brasileiros, o naked cake (ou bolo pelado), foi Isabela Franco. Especialista na tradicional receita popularizada por ingleses e norte-americanos, a cake designer guarda pouco segredo sobre a equação massa gostosa e estruturada. “São super molhadinhos, técnica correta para empilhar e continuarem úmidos até servir”, revela.

Bolo Naked Cake Isabela Franco
Fórmula com recheio aparente e cobertura de frutas e flores é carro-chefe da cake designer Isabela Franco
 

À experiência de quase 10 anos confeitando bolos, somam-se camadas de pão de ló (até cinco), recheio cremoso (nozes com ganache de chocolate é o mais popular), frutas frescas, flores no topo e nas laterais. Propositalmente sem cobertura, o naked é levemente mais rústico. E deixa os ingredientes à mostra, como se quisesse forçar a degustação. “O segredo de um bom bolo, sem dúvida, é a harmonia de texturas na hora de comer: uma mistura entre cremoso, aerado e úmido, tudo ao mesmo tempo. Tudo isso é fundamental para o paladar ficar completo”, enfatiza a cake designer.

Técnica importada da Coreia e ensinada no Brasil transforma receita em buquês de flores

Rosas inglesas, peônias, hortênsias ou dálias. Não estamos falando sobre o cultivo de flores nem dando opções para reformar o jardim, mas sobre algumas possibilidades para a nova sensação no Brasil, os flower cakes. Trazida da Coreia do Sul, onde ganhou popularidade, a técnica, que consiste em cobrir o quitute com verdadeiros buquês floridos, vem ganhando adeptos pelo Brasil. 

Ensinada com pioneirismo pela cake designer Amélia Lino – goiana que já viveu em Belo Horizonte e, agora, viaja o país ensinando o método –, a receita requer habilidades manuais e domínio de uma importante função, a criatividade.

Bolo Flower Cake Amélia Lino
Técnica ensinada com pioneirismo no Brasil pela goiana Amélia Lino foi importada da Coreia; arranjos formam buquês perfeitos
 

“O bolo em si pode ser o preferido da pessoa. Na região Norte, usa-se muito o amanteigado, por exemplo. No Sudeste e Centro-Oeste, o pão de ló. Mas o que conta mais é o processo criativo, que inclui a paleta de cores e o uso de combinações harmoniosas e menos óbvias para compor os arranjos”, detalha.

Para confeccionar e modelar as flores, a receita original coreana utiliza glossy buttercream, uma cobertura brilhante à base de manteiga e merengue italiano. Por aqui, entretanto, é o universal chantilly que têm sido o escolhido, diz Amélia Lino. A diferença entre as duas técnicas, ensina a cake designer, é que a primeira só preserva a consistência durinha das flores quando mantida em geladeira. Já a segunda, suporta até 40 graus sem derreter. 

oleiras de primeira viagem podem levar até 4 horas para terminar a obra-prima, cujo preço pode chegar a R$ 220 para servir até 20 pessoas. Os cursos, por sua vez, variam de R$ 650 a R$ 900 por módulo. Belo-horizontinos interessados em aprender a técnica podem anotar na agenda: a cake designer estará na capital mineira dias 18 e 19 de dezembro. Mais informações no Instagram: @amelialinoo.

Além disso:

O nome já diz tudo. De.Ló Bolos nasceu há 3 anos, em BH, e, desde então, vem replicando a receita que, naquela época, já fazia sucesso nos natais da família: à base de pão de ló. Fofinha, leve e aerada, a massa – que não leva leite nem manteiga – permanece gostosa em temperatura ambiente ou depois de gelada e combina com tudo. Tudo mesmo! Do bolo festivo, o mais tradicional da casa, com creme de baunilha, doce de leite caramelado e crocante de castanhas, ao popular brigadeiro duo (metade branca, metade preta).

Bolo De.ló bolos Mariana Goulart
De.Ló Bolos, de Mariana Goulart, tem bolo de pote como especialidade da casa, mas recheio preferido é o crocante (alto)
 

Proprietária da boleria, localizada no bairro Sion, Zona Sul da capital, Mariana Goulart, que cozinha com a mãe e outras duas ajudantes, conta que o carro-chefe da família De.Ló são os bolos de pote. Febre há mais de um ano, quando surgiram com tudo Brasil afora, a modalidade é servida em porções individuais e agrada todo mundo. O segredo, garante a moça, que adora incrementar receitas, é respeitar as proporções entre massa e recheio para garantir experiências inesquecíveis a quem prova. 

“Essa questão do farelo, usado por muita gente que faz esse tipo de bolo, é muito importante. A ideia aqui é proporcionar naquela pequena porção a mesma experiência de comer uma fatia inteira”, destaca Mariana. Segundo ela, é fundamental ainda mantê-lo úmido na medida certa, evitando que a massa fique encharcada demais e, na boca, provoque sensação de “papa”.

Receita de vó

No bairro Caiçara, região Noroeste de BH, é também onde se localiza a simpática boleria com cara de cozinha de vó Bolo Doce Bolo. Aberta há pouco mais de um ano, a loja alia técnicas antigas à modernidade para oferecer quitutes fresquinhos com cara (e gosto!) de feito em casa. "Nosso lema é: perdemos o prazo e a venda, mas não entregamos um bolo fora do nosso padrão", revela a proprietária da loja, Nalu Saad. 

Cozinheira e boleira de mão cheia, ela descarta o uso de recursos tecnológicos e de ingredientes como conservantes, emulsificantes e saborizantes, tudo para não alterar o sabor original das receitas. Dentre as mais populares estão cenoura (da linha básica), o gourmet leite Ninho, agora em versão vulcão, e ainda maçã com canela, passas e damasco. "Quem produz tem que conhecer bem, saber os aspectos e até volume de bolhas na massa antes de levar ao forno. Com ingredientes não dá para economizar", sentencia a proprietária da boleria.

Bolo Doce Bolo mantém modo de fazer tradicional para não interferir no sabor da receita