Ao mesmo tempo que o mundo perdeu Audrey Hepburn há exatos 25 anos (em 20 de janeiro de 1993) ganhou também mais um mito, na extensa galeria de figuras midiáticas que representaram algo maior que sua “profissão de fé”.

Assim como o pôster de “Bonequinha de Luxo” – um de seus trabalhos mais consagrados, onde interpreta a acompanhante de luxo Holly Golightly rodopiando pela alta roda nova-iorquina – habita casas e estabelecimentos ao redor do globo, a imagem de Hepburn, icônica, larger than life, é de certa forma tributada continuamente em posturas, escolhas, acessórios e reprisada em talentos de outras gerações: é difícil pensar em nomes como Nicole Kidman ou Anne Hathaway sem lembrar da musa.

No caso da atriz belga, seu legado ultrapassa algumas das atuações mais marcantes da história do cinema – como a princesa Ann, em “A Princesa e o Plebeu”, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 1954 – e alcança ambientes do comportamento, das ações humanitárias e, especialmente, da moda.

ÍCONE

“Ela se tornou um ícone por romper um padrão que rompia com a estética da Hollywood glamourosa, das mulheres corpulentas”, aponta Flávia Virgínia, professora do Curso de Moda da UNA. “Ela sai um pouco da questão da mulher como um símbolo sexual, muito presente no período pós-guerra, e resgata a questão da qualidade artística”, observa. Entre as peças imortalizadas pela artista, estão os óculos Wayfarer, o colar de pérolas e o pretinho básico, ou little black dress.

Virgínia ressalta ainda uma influência que ultrapassa os clássicos vestidos assinados pelo estilista Hubert de Givenchy – utilizados em filmes como “Sabrina” e “Funny Face”. “Ela tem essa elegância mais clássica, mas gosto principalmente do período mais esportivo, quando ela passa a ser vista com calça e camiseta polo. Ela traz um frescor para a moda, que é muito interessante”, afirma a professora. Ela destaca, inclusive, o próprio contexto da época, quando a vida privada das celebridades começava a ser especulada. “Não era como hoje, mas talvez por isso a gente tenha tido a oportunidade de vê-la em outros contextos que não os filmes e tapetes vermelhos”, afirma.

Virgínia aponta ainda que a importância da relação de Hepburn com a moda vai além das influências estéticas. “É sempre válido resgatá-la e notar como ela se apropriou dessa da moda para dar luz também a sua qualidade artística. Sua relevância fez com que ela fosse conhecida de forma aprofundada, incluindo também sua história”.

Este último ponto é apontado pela professora como uma das justificativas para que a atriz se permaneça como um ícone e mantenha sua influência, mesmo 25 anos depois de sua morte. “Dentro de uma dimensão política, ela representa a figura de uma mulher forte, que veio de um contexto difícil, fugiu de uma invasão nazista. Apesar de ela trazer essa imagem e feminilidade e fragilidade, ela era muito dona de si, que rompeu também padrões estéticos da época”.