Para um bom apreciador de cerveja, a bebida “trincando” basta. Certo? Errado! Levar em conta a temperatura é importante, mas não é a única providência a ser tomada na hora de saborear o fermentado de cereais. Atributos como cor, brilho, aromas e sabores, que variam conforme o estilo, são fundamentais para uma experiência completa. Escolha o copo certo e tim-tim!

Bojo e boca largos, por exemplo, características presentes nos cálices, são fundamentais para quem deseja extrair o melhor das cervejas belgas, bastante alcoólicas e aromáticas. O primeiro atributo do recipiente possibilita que o líquido seja aquecido pelas mãos (assim como se faz com o conhaque) e o segundo, que os perfumes exalem e cheguem diretamente ao nariz.

Sommelier de cerveja, Fabiana Arreguy explica melhor. “A boca extremamente aberta expande a espuma, volatiza o álcool e dissipa os aromas. Tudo isso é importante para um copo de cerveja belga”, enfatiza.

Copo para cada tipo de cerveja Fabiana Arreguy, sommelier

EXPERIÊNCIA COMPLETA – Escolha do copo ideal ajuda a extrair as melhores características de cada tipo, destaca a sommelier de cerveja Fabiana Arreguy

Queridinhas em bares e restaurantes e presença certa nas casas de bebedores de cerveja, as taças pilsen (não confunda com a tulipa!), por sua vez, têm como principal função servir de “vitrine”. Perfeitas para o estilo de mesmo nome, evidenciam o que a cerveja tem de melhor: a beleza.

“Até que esse estilo fosse criado, em 1842, na cidade de Pilsner, na região da Boêmia (República Tcheca), as cervejas eram turvas, escuras e não tinham beleza para ser exaltada. Por causa dos copos, de cristal, criou-se a cerveja, dourada e transparente, que podia, então, ser valorizada”, conta a especialista, sócia na Academia Sommelier de Cerveja, em Belo Horizonte. 

Colarinho

Preservar o colarinho – dispensado, equivocadamente, por muitos – é outra função dos copos. Além de manter a temperatura adequada (nem todas precisam estar estupidamente geladas, como os brasileiros gostam), a espuma (dois a três dedos é o ideal) cria uma barreira que protege da oxidação pelo ar. Esse tipo de contato modifica o sabor original da bebida, explica Fabiana Arreguy. 

Assim como uns casam perfeitamente com o estilo de cerveja que irão servir, outros desempenham função meramente anatômica, facilitando a vida de quem vai tomar a bebida. Caso do pint, pensado para evitar quedas e quebras nos pubs da Inglaterra.

A tradicional caneca da Oktoberfest – festa alemã realizada em Munique há mais de 200 anos – desempenha função parecida. Com capacidade para comportar um litro de cerveja de estilos geralmente muito leves, de baixa fermentação, como as helles, pode ser carregada até no pescoço com ajuda do passante. 

Copos com boca larga são apropriados para cervejas mais fermentadas e, portanto, bem aromáticas, como as belgas; ao escolher o material, prefira cristal ou um vidro bem fino, que permite uma melhor percepção sensorial da temperatura da bebida

Lagoinha

Há também copos cujo papel é preservar a temperatura da cerveja que vai dentro. Exemplo clássico, conforme a sommelier, é o popular lagoinha, muito usado nos bares e botecos de Belo Horizonte. Com 170 ml de capacidade, possibilita maior “rotatividade” da bebida, impedindo que fique quente e seja, por causa disso, descartada.

“Costumam ser usados para cervejas comerciais, cujo atributo é serem extremamente geladas para matar a sede. Se esquentam, ninguém toma”, diz a especialista. 

Sobre o material, ela recomenda cristal ou um vidro bem fininho. Ambos proporcionam melhor percepção da temperatura. E nada de levá-los ao freezer antes de servir a bebida, adverte a sommelier: “É uma prática antiga, que acaba aguando a cerveja”.

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Confira as explicações para alguns dos principais tipos de copos:

Um copo para cada cerveja
WEIZEN
Criado pela Erdinger é voltado para cervejas de trigo (weiss). A anatomia possibilita expansão da espuma, bem abundante, e recirculação das leveduras, impedindo que fiquem no fundo do copo. A medida – 500 ml – cabe a quantidade exata de uma garrafa da marca alemã
Um copo para cada cerveja

PILSEN
Ideal para os tipos de mesmo nome, cujos atributos principais são a cor dourada e a espuma branquinha. A base bem fina permite que o gás carbônico circule e o colarinho se estabilize. Os mais recomendados são os de cristal

Um copo para cada cerveja

PINT
Surgiu nos pubs ingleses no fim do século 19 e leva o nome da unidade de medida que corresponde a 524 ml. Anatômico, tem “degraus” na base, impedindo que escorregue da mão. São indicados para IPAs e Pale Ales, que têm pouco colarinho 

Um copo para cada cerveja
FLUTE
Esse tipo de taça é indicado para cervejas feitas pelo método champenoise – mesmo usado na fabricação de espumantes. Assim como os fermentados de uva, são leves, translúcidas e possuem pérlage (borbulhas)
Um copo para cada cerveja
TULIPA
É considerado um copo curinga, pois permite a degustação de diferentes tipos de cerveja, como lager (bock, schwarzbier, dunkel e helles) e Ale. São bebidas mais leves e que não precisam expandir aromas, como as belgas

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Um copo para cada cerveja

TEKU
Junção dos nomes dos criadores – “Teo” Musso e Lorenzo “Kuaska” –, é considerado perfeito. O pé, comprido, evita o aquecimento dos tipos mais leves, já o bojo permite o aquecimento das aromáticas. A borda virada impede que entorne, levando o líquido diretamente à metade da língua, onde os sabores são percebidos

Um copo para cada cerveja
CALDERETA
Chamado também de shaker (por lembrar os copos de fazer coquetéis), caiu em desuso por ser pouco anatômico e pesado – escorrega com facilidade. Geralmente de vidro, dificulta a percepção de temperatura e sabor da bebida
Copo para cada cerveja
CÁLICE
Indicados para cervejas com alto teor alcoólico (acima de 8%), como as belgas, bem aromáticas. A combinação entre bojo robusto, que permite que se aqueça o líquido com as mãos, e boca larga é perfeita para expandir aromas