Desde muito cedo, Pedro Bolina, de 24 anos, sabia que pertencia ao mundo fashion. No entanto, como geralmente acontece com os jovens, as dúvidas surgiram, e o agora recém-formado designer de moda passou alguns anos nas cadeiras das faculdades de Publicidade e Propaganda e também de Marketing. “Antes, não acreditava ser viável”, declara. Bolina faz parte da safra de estilistas que acaba de “sair do forno”.

Mundo distópico e sombrio representado na criação de Renata Dias

Mundo distópico na criação de Renata Dias

Nas duas últimas semanas, os novos profissionais da moda mineira foram apresentados nos já tradicionais desfiles semestrais realizados pelo Centro Universitário UNA e pela Universidade Fumec, instituições conhecidas pela relevância nesse tipo de formação.

Para a passarela, como objeto final do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Pedro Bolina levou criações que dialogam com o Manifesto Dadaísta e discutem a sociedade de consumo. 

“Além disso, trabalhei o abstracionismo no pré-TCC. Por isso, pintei todas as peças a mão, de forma livre”, explica o jovem, que revela uma possível mudança para Paris, em breve. “Fui aceito para uma especialização em Design Têxtil na Escola Superior de Artes Aplicadas, mas não sei se vai dar para arrumar toda a papelada a tempo”.

Quem também está prestes a deixar BH por um período é a recém-formada Keiny Paiva, de 21 anos, que abordou, no trabalho final, a história de Chica da Silva. Com diploma na mão, a jovem embarca, dentro de algumas semanas, para os Estados Unidos, onde fará uma especialização.

“Comecei a estudar moda aos 15 anos, no Senac. Depois, fiz formação técnica no Senai, faculdade na UNA, que abriu minha cabeça, e agora quero levar Minas Gerais para o exterior”, celebra.

Parceria

Um dos diferenciais da coleção de Keiny foram os tecidos naturais, cedidos pela Cedro Textil, parceira constante desses eventos e de novos talentos da moda mineira.

“Buscamos um relacionamento próximo com as faculdades e, por nossas fábricas estarem próximas a BH, sempre recebemos visitas dos alunos durante o curso. Temos abertura em fornecer os tecidos e fomentar a moda. O objetivo é contribuir com a formação, oferecer nossa estrutura”, aponta Eduardo Silva, coordenador de Marketing e Comunicação da Cedro Textil.

Inspirada nos monumentos de Dubai, coleção de Larissa Amaral surpreendeu

Inspirada nos monumentos de Dubai, coleção de Larissa Amaral surpreendeu


Envolvimento

Temas, conceitos e também a execução das minicoleções apresentadas pelos alunos nos desfiles de conclusão de curso têm tempo de gestação.

Desde o pré-TCC, que ocorre no semestre anterior ao último da graduação, os estudantes vão a fundo nas pesquisas e são orientados por professores selecionados pelas instituições.

“As experimentações acontecem durante todo o curso, isso acaba dirigindo o trabalho do aluno. No percurso, eles vão buscando o próprio caminho. Assim, encontram o professor que tem uma relação maior com o trabalho que propõem”, esclarece Antônio Fernando Santos, coordenador do curso de Design de Moda da Universidade Fumec.

Formandos UNA Trend

Da esquerda para a direita: (1) Valorização do multiculturalismo na coleção da Ajalu, de Anna Luiza Fuzaro; (2) Homenagem à Chica da Silva pela designer de moda Keiny Paiva; (3) Moda festa desfilada pela Legan, das recém-formadas Sheila Soares e Andreza Vitória

Caso da recém-graduada Isis Rocha, de 27 anos, que entrou na faculdade querendo ser figurinista, mas foi se descobrindo estilista ao longo do tempo. Proprietária da marca Roch Clothing desde o quinto período da faculdade, vive a moda de forma intensa. “Tenho uma necessidade de expressão por meio do vestuário. Gosto muito de tudo, da produção, do estilo. Tenho planos, para daqui a pouco, de me especializar em história da moda”, conta.

Peças desenvolvidas por Isis Rocha foram pintadas na passarela e ganharam identidade singular

Peças desenvolvidas por Isis Rocha foram pintadas na passarela e ganharam identidade singular

Para a coordenadora do curso de Design de Moda do Centro Universitário UNA, Renata Canabrava, a organização curricular da instituição deve permitir que o aluno entenda as diversas oportunidades da moda, que vão muito além da função de estilista.

“Ele deve passar por experiências que vão mostrar caminhos como gestão; imagem, produção de moda ou consultoria; e o desenvolvimento de produtos, que inclui estilo, vestuário ou acessórios. Promovemos uma formação generalista, com foco empreendedor”, explica.

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