Ao pensar em um cão de guarda, muita gente logo imagina um animal raivoso e extremamente agressivo, pronto para atacar ao menor sinal de ameaça ou invasão. Mas, na prática, não é bem assim. Ao contrário do que diz o senso comum, eles podem conviver harmonicamente com familiares e amigos, desde que bem adestrados. 

Ao lado da raça, uma mais, outra menos propensa à finalidade, temperamento e treinamento ditarão como se comportará o guardião. “Quase todos, instintivamente, defendem a casa. Alguns se limitam a latir, outros podem atacar. De toda forma, genética não é um fator determinante. Personalidade e adestramento bem feito são fundamentais”, esclarecem os veterinários Luís Fernando Pimenta e Soraya Curi, da DrogaVet de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. 

Profissional da Petz Pampulha, em Belo Horizonte, a veterinária Mayra Gonzaga Ramos explica que somente a intenção de ter um animal de guarda não vale, pois o cachorro violento em excesso pode virar-se, inclusive, contra os donos. 

"É necessário um trabalho bem feito desde a infância, tanto no intuito de liderança, para que o tutor consiga desempenhar tanto o papel de líder, quanto de socialização”, detalha Mayra. Para esses casos, a presença de um profissional especializado em adestramento é primordial.

Desde cedo

Proprietário da Guardog Minas, em BH, empresa especializada em segurança patrimonial com cães de guarda, Wellington Luiz Crispim explica que o adestramento deve começar cedo. 

Segundo ele, aos 3 meses, os cães já estão aptos ao treinamento de obediência, que inclui comandos básicos como sentar e sair. Antes que atinjam a idade adulta – entre 7 e 8 anos – , é necessário que tenham completado a outra etapa de treino, a guarda.

Animais preparados para vigiar empresas ou obras, por exemplo, são treinados diariamente – duas a três vezes por semana para guarda e todos os dias para obediência. 

De acordo com Crispim, quanto mais puras as raças escolhidas para a função, melhores e mais confiáveis os resultados. “Normalmente, são animais que foram selecionados desde a origem. É importante que o cachorro tenha vindo de uma linhagem mansa, adestrável”, reforça o profissional. 

R$ 1 mil é o preço médio mensal do aluguel de um cão de guarda em bH; responsabilidades com o animal ficam por conta da empresa

Treino de obediência é fundamental para garantir proteção

Ter um cão de guarda em casa e interagir com ele como se fosse um animal de companhia, ou pelo menos perto disso, é possível desde que o treinamento de obediência tenha sido perfeitamente realizado. A advertência é do especialista em comportamento animal Rodrigo Weckema, que atua como adestrador há quase 20 anos. 

Segundo o profissional, manter as duas relações tão próximas pode representar um risco alto para o trabalho de guarda, caso o animal não atenda corretamente aos comandos de parar. 

“Se a família brinca demais com o cachorro ou tem muitas atividades com ele no dia a dia, precisará ser mais firme na hora de dar os comandos. O grande problema do animal de guarda não é quando vai para cima de quem o ameaça, mas quando não consegue interromper o ataque”, alerta. 

Em ambientes domésticos, Weckema recomenda que o cão seja bem preparado, por exemplo, para não receber comida do chão, pois, numa situação de ameaça, ele poderá ser envenenado pelo invasor. 

Além disso, conforme o adestrador, a etapa de guarda do treinamento deve ser prioritariamente iniciada a partir de 1 ano de vida. Nesta idade, o cão já tem maturidade suficiente para assimilar os comandos de maneira segura, tornando-se e confiável não somente para os donos e local que irá vigiar, como para si mesmo. 

Por outro lado, o limite seguro para que um animal não obediente comece a receber os dois tipos de comando é três anos, ressalta o especialista. “Bom lembrar também que o cão é só um complemento à segurança da casa. Está errado considerar que ele sozinho vai fazer toda a segurança do ambiente. É importante dispor de recursos de câmera e porteiro”, argumenta. 

Ponto a ponto:

Mitos e verdades sobre adestramento: 

Cachorros velhos não aprendem. MITO
Quanto mais cedo o animal for submetido a um adestramento, mais rápidos e melhores serão os resultados. Mas com orientação de um bom profissional, é possível ensinar até mesmo os adultos.

Para ser cão de guarda é preciso ser jovem. VERDADE
Com a chegada da “maturidade”, o cão começa a perder instintos importantes, com faro e audição, e o trabalho pode ficar prejudicado. A idade cronológica dos cachorros está sete vezes à frente da dos humanos.

Existem raças mais propensas à obediência. VERDADE
Todo animal é passível de adestramento, o que acontece é que algumas raças são mais inteligentes e espertas e, portanto, aprenderão e atenderão mais rapidamente aos comandos do dono ou do treinador.

O cão só obedece ao adestrador. EM PARTES
Para que, além do adestrador, que ensinará os comandos ao animal, o dono ou outra pessoa ligada a ele também seja obedecido é importante que o profissional compartilhe os comandos ensinados assim que for possível.

Conheça aspectos de algumas das raças mais recomendas para essa finalidade:

Cães de guarda

Fonte: tudosobrecachorros.com.br